O PT de São Leopoldo precisa se renovar antes que seja tarde demais - Por Bado Jacoby

A eleição de 2026 deixou um recado que o Partido dos Trabalhadores (PT) de São Leopoldo não deveria ignorar. É hora de abrir espaço para novas lideranças, renovar práticas e construir alternativas políticas capazes de manter vivo o protagonismo de um partido que teve papel decisivo na história do município.
Pode desagradar a alguns, mas uma constatação se impõe. Há muitos anos, o PT leopoldense gravita em torno de uma liderança que se tornou maior do que a própria estrutura partidária. Ary Vanazzi, prefeito por quatro mandatos, consolidou-se como a principal referência política da sigla na cidade. Sua trajetória e sua capacidade eleitoral são inegáveis. O problema é que, ao longo desse período, o partido não conseguiu construir outras lideranças com força semelhante para dividir responsabilidades e preparar o futuro.
Não se trata de desmerecer quem conquistou espaço pelo voto, tampouco de apagar a história de quem ajudou a construir o PT. A questão é a dificuldade do partido em formar novas referências políticas, preparar jovens para ocupar posições de destaque e abrir espaços de decisão para além do círculo tradicional de lideranças.
A juventude petista, que já teve presença importante na mobilização política, parece hoje reduzida a um grupo pequeno diante do tamanho e da história do partido. Os espaços de poder, as funções internas e os ambientes de decisão continuam concentrados, em grande medida, nas mesmas mãos. Renovação não acontece apenas com discursos ou com a presença de jovens em fotografias de campanha. Exige participação real, oportunidade e capacidade de influenciar os rumos da organização.
O resultado eleitoral de Vanazzi oferece uma pista importante. Mesmo sem uma mobilização orgânica expressiva do conjunto partidário, sua candidatura a deputado federal recebeu 17.233 votos em São Leopoldo e 31.073 em todo o Rio Grande do Sul. É uma votação significativa, que demonstra a força pessoal construída ao longo de décadas. Também levanta uma pergunta incômoda sobre a capacidade do PT de transformar essa força individual em um projeto coletivo.
Vanazzi não pode ser responsabilizado sozinho pela ausência de renovação do PT. Mas também não se pode ignorar que o ex-prefeito não teve o retorno, em forma de apoio eleitoral, de boa parte da militância petista de São Leopoldo. Muitos parecem ter esquecido a importância que ele teve na construção do partido e na abertura de espaços políticos durante seus governos, que também permitiram a essas lideranças ocupar funções e conquistar protagonismo. A trajetória de Vanazzi não apaga a responsabilidade do partido em renovar seus quadros, mas a falta de reciprocidade de parte da militância também merece reflexão. Afinal, construir um projeto coletivo exige não apenas ocupar espaços, mas reconhecer quem ajudou a torná-los possíveis.
O PT de São Leopoldo precisa compreender que respeitar suas lideranças históricas não significa mantê-las eternamente no centro de todas as decisões. É possível reconhecer o passado e, ao mesmo tempo, abrir caminhos para o futuro.
Se essa renovação continuar sendo adiada, o partido corre o risco de envelhecer politicamente, perder conexão com novas gerações e depender cada vez mais de nomes individuais. A eleição de 2026 deveria servir como um alerta. Renovar não é apagar a história. É garantir que ela continue tendo capítulos novos.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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