Onde nasce o feminicídio - Por Letícia Meine
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- 8 de fev.
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Neste novo ano que está apenas começando, somos quatro vítimas por dia no país de feminicídio. É impossível não pensar e se impressionar com esses números e, ainda mais, com a crueldade contra as vítimas.
Fico pensando como chegamos a esse número. Como esses homens se multiplicaram e avançam sobre nós, mulheres. E percebi que o feminicídio começa muito antes do fato consumado em si.
O feminicídio começa no trânsito, quando, mesmo estando com razão, sendo cuidadosas ao volante e responsáveis, somos ofendidas e humilhadas diariamente por motoristas que não dirigem nada, mas insistem em nos ofender, soltando as mais baixas palavras, descendo do carro para nos intimidar e, no final, ainda colocando um “só podia ser mulher” antes de entrar no carro e sair cantando pneu.
O feminicídio está naquele namorado “protetor”, que observa se nossas roupas estão curtas ou decotadas demais para sairmos à rua, porque podemos ser “assediadas”. E lá vamos nós, aos poucos, trocar nossos looks e reorganizar nosso novo estilo.
O feminicídio está no chefe que adora fazer piadinhas com os colegas “macho alfa”, parabenizá-los pelas conquistas e marcar churrascos para celebrar números, mas também gosta de expor as mulheres por suas falhas, seja em reuniões, na frente desses “machos alfa”, seja a sós, até chorarmos, para no final dizer: “não leve a mal, não é nada pessoal”. O feminicídio também nasce no assédio sexual, quando, ao não correspondermos, somos tachadas de incompetentes, bonitas e burras e, depois, demitidas.
O feminicídio igualmente está naquele casamento de “sorte grande”, em que o marido é o provedor absoluto. Banca tudo. E acaba com teus sonhos: de estudar, se formar, ser realizada profissionalmente e independente, palavra, aliás, que esses assassinos odeiam. Afinal, mulheres independentes têm poder de decisão. E decisão e liberdade andam juntas.
Naquele marido que te dá o carro do ano e o último lançamento de smartphone, mas não te conta que ambos estão com localizador, só para te manter “segura”. E vigiada.
Esse mesmo marido é aquele que vai dizer que sua família é tóxica, oportunista (e assim você se afasta) e, depois, aos poucos, vai te convencer de que suas amigas são invejosas, infelizes e, no final, vagabundas e que estão dando em cima dele. Pois, vamos combinar: você é muito sortuda de ter um homem assim!
E então, quando estamos isoladas, sozinhas, dependentes, fragilizadas e dominadas e nos damos conta disso, chega o momento do golpe final: o fato consumado em si, é o nosso fim.
O feminicídio germina quando nos diminuímos para caber, seja no trabalho, em um relacionamento ou em uma amizade. A morte é apenas o trágico desfecho quando decidimos dizer “chega” e tentamos colocar um ponto final a tantos abusos sofridos, sejam eles psicológicos ou físicos.
Vamos educar nossas filhas para serem fortes, independentes, observadoras e para não “passarem pano para macho”. Para estarem atentas aos pequenos sinais e identificarem logo esses narcisistas assassinos que estão por aí pagando de príncipes encantados.

Letícia Meine, é empreendedora e promoter
























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