"Onde se viu o juro estar 13,75%? Não tem cabimento", diz Luiza Trajano durante o South Summit

Luiza Helena Trajano, empresária e presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, criticou duramente a política de taxa de juros do Banco Central na manhã desta quarta-feira (29) durante o South Summit Brazil, em Porto Alegre, e cobrou uma solução, por parte do governo federal, para a concorrência entre o varejo nacional com as grandes empresas chinesas.
"Onde se viu o juro estar em 13,75%? Eu estou gritando sobre isso em tudo quanto é lugar. Não tem cabimento", defendeu. "Um país que não é rico vive de duas coisas, da renda e do crédito. A renda vem do emprego e se não há crédito as pessoas não compram nada. Aí falam do déficit público, mas se não tiver renda, se não tiver venda, também não vai ter dinheiro para (cobrir) o déficit público", analisou, sob aplausos da plateia.
A bilionária dona de uma das maiores redes varejistas do país se soma a setores da economia, da indústria e, em especial, do governo, para pedir uma revisão da política do Banco Central que, na última reunião do Copom, manteve a taxa Selic no patamar de 13,75% pela quinta vez consecutiva. "O juro tem que baixar, tem que baixar!", bradou Luiza.
Questionada sobre o novo programa do governo federal, em preparação pela equipe econômica liderada pelo ministro da Fazenda Fernando Haddad, a empresária se mostrou otimista. "Eu ainda não analisei o programa porque não foi divulgado, mas se ele [governo federal] quiser ter sucesso, como ele quer, tem que focar no crédito, focar no crédito score, para que o dinheiro possa chegar na mão de todo mundo", prosseguiu
Luiza desconversou quando questionada sobre uma eventual proximidade com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Eu sempre estou com os governos que fazem as coisas bem feitas. Eu sempre acho que tem que haver desenvolvimento, ter emprego, combater a desigualdade social. Esse sempre é o meu foco", garantiu.
Concorrência chinesa
A empresária também cobrou uma solução para a concorrência entre o varejo nacional com as grandes operadores de e-commerce chinesas, como Shein, Shopee e Aliexpress. O tema está em debate no Congresso Nacional e o governo federal sinaliza que estuda taxar as estrangeiras. Para Luiza, cobrar mais impostos não seria a melhor opção. "Eu não to mandando taxar eles [os chineses], mas estou pedindo para termos as mesmas condições que eles. Eu sempre digo, não pagar imposto é um negócio da China", falou, ao ironizar sobre a refência com o ditado popular. "Estão todos [os empresários nacionais] se mobilizando e ele (o governo) tem que se conscientizar."
Para ela, a competição em um mercado tão desigual se torna inviável. "Não tem como se diferenciar enquanto você paga 37% de imposto e o outro não paga, né!? Estamos trabalhando para conscientizar que não é que a gente não quer que os consumidores paguem mais barato [nos produtos chineses], mas que isso tira o emprego do Brasil. Queremos as vantagens que os outros têm. E não falo apenas do Magazine Luiza, falo do mercado todo", explicou.
Fonte: Correio do Povo

























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