Operação de guerra para impedir distribuição de alimentos a moradores de rua gera polêmica em Porto Alegre
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Uma ação da Guarda Civil Metropolitana de Porto Alegre durante a distribuição de alimentos para pessoas em situação de rua provocou grande repercussão nas redes sociais e abriu um debate sobre a atuação do poder público em iniciativas solidárias realizadas por organizações da sociedade civil.
O episódio ocorreu na noite de quinta-feira (23), sob o Viaduto da Conceição, no Centro da Capital, durante uma ação do projeto Cozinheiros do Bem – Food Fighters, que há quase 11 anos distribui refeições gratuitamente para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Segundo relatos dos voluntários, agentes da Guarda Civil Metropolitana interromperam a atividade e exigiram uma autorização por escrito para que a distribuição pudesse ser realizada. A abordagem foi registrada em vídeos publicados nas redes sociais e rapidamente ganhou repercussão.
Durante a discussão, o fundador do projeto, Júlio Ritta, informou aos agentes que a iniciativa atua regularmente em espaços públicos há mais de uma década, prestando assistência a pessoas em situação de rua. Após o impasse e a divulgação das imagens, os guardas recuaram, permitindo que a entrega das marmitas fosse concluída normalmente.
Diante da repercussão, a Prefeitura de Porto Alegre divulgou uma nota oficial afirmando que o episódio foi resultado de um "desentendimento pontual" envolvendo agentes lotados em um posto avançado da Guarda Civil Metropolitana instalado nas proximidades do viaduto.
A administração municipal também esclareceu que não existe qualquer proibição legal para a distribuição de alimentos a pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas da Capital, afastando a interpretação de que haveria uma determinação para impedir esse tipo de ação solidária.
O caso reacendeu o debate sobre a relação entre o poder público e as iniciativas voluntárias de assistência social. De um lado, entidades e voluntários defendem que ações como a do Cozinheiros do Bem são fundamentais para atender pessoas que permanecem fora da rede oficial de acolhimento. De outro, o município afirma que busca integrar esse atendimento às políticas públicas de assistência social, sem impedir iniciativas de caráter humanitário.
A repercussão do episódio segue mobilizando organizações sociais, lideranças políticas e milhares de internautas, tornando-se um dos assuntos mais comentados da semana em Porto Alegre. O projeto Cozinheiros do Bem – Food Fighters reafirmou que continuará realizando a distribuição de refeições, atividade que mantém de forma voluntária desde 2015.

























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