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Operação investiga fraude bilionária no ICMS em SP e mira escritório ligado a apuração sobre descontos indevidos no INSS

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A Operação Distrato, deflagrada nesta quarta-feira (15), investiga um esquema que teria causado prejuízo de R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos por meio da comercialização de créditos tributários falsos e do uso de empresas de fachada para reduzir o pagamento de ICMS. Ao todo, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão em cidades de São Paulo e do Paraná.


Entre os alvos da operação está o escritório do advogado Nelson Wilians, fundador de uma das maiores bancas de advocacia do país. A investigação aponta que escritórios e empresas de consultoria ofereciam a empresários paulistas supostos créditos tributários autorizados pela Secretaria da Fazenda, permitindo a redução irregular do imposto devido ao Estado.


Segundo as autoridades, a autorização nunca existiu. As empresas deixavam de recolher parte do ICMS e repassavam aos intermediários comissões que chegavam a 70% do valor economizado. Até o momento, a apuração já identificou irregularidades envolvendo 752 empresas.


O nome de Nelson Wilians já havia surgido em outra investigação de grande repercussão nacional. Em setembro de 2025, seu escritório foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apurava descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).


Na ocasião, a PF analisou movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que somavam R$ 4,3 bilhões entre 2019 e 2024. O relatório também apontou transferências de R$ 15,5 milhões feitas pelo advogado ao empresário Maurício Camisotti, investigado como um dos possíveis beneficiários do esquema que atingiu aposentados.


As investigações também identificaram uma negociação imobiliária entre os dois envolvendo uma mansão no Jardim Europa, em São Paulo. À época, a defesa de Wilians afirmou que a relação com Camisotti era “estritamente profissional e legal” e que todas as operações realizadas foram lícitas.


A Operação Distrato é conduzida pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (Cira-SP), formado pela Secretaria da Fazenda paulista, Ministério Público e Procuradoria-Geral do Estado, com apoio das polícias Civil e Militar. Os investigados poderão responder nas esferas administrativa, cível e criminal.


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