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Operação Leite Compen$ado 13: “Mago do Leite” volta a ser preso por fraude com soda cáustica

Imagem: divulgação/ MPRS.
Imagem: divulgação/ MPRS.

Quase 12 anos após a primeira fase e sete anos depois da última etapa, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) voltou a investigar um esquema de adulteração de produtos lácteos na Operação Leite Compen$ado 13, deflagrada nesta quarta-feira (11). A ação resultou na prisão de quatro pessoas, incluindo o químico industrial conhecido como o “alquimista” ou o “mago do leite”.


Os produtos adulterados, fabricados em uma indústria de Taquara, no Vale do Paranhana, continham soda cáustica, água oxigenada e outras substâncias nocivas à saúde, além de pontos de sujeira e "pelos indefinidos" em embalagens. A Justiça ainda não autorizou a divulgação das marcas.


O químico, alvo de fases anteriores da operação, como a Leite Compen$ado 5 em 2014, já havia sido acusado de manipular produtos com soda cáustica e bicarbonato de sódio. Mesmo aguardando processos judiciais e tendo medidas cautelares impostas pela Justiça, ele voltou a assessorar na produção da fábrica de Taquara, que distribui produtos para o Brasil e até para a Venezuela.


Fraude sofisticada e distribuição nacional


Segundo os promotores Mauro Rockenbach e Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, além de aprimorar as fórmulas de adulteração, os envolvidos usavam códigos como “vitamina” e “receita” para despistar investigações. “Eles têm a fórmula exata da quantidade de soda cáustica para ajustar o PH e mascarar as irregularidades. Produtos vencidos eram reprocessados para reutilização, incluindo compostos lácteos, leite em pó e soro”, explicou Bastos.


O esquema envolvia não apenas o mercado interno, mas também exportações e fornecimento para programas governamentais. Recentemente, a indústria venceu licitações para distribuir produtos derivados do leite em escolas de uma cidade paulista.


Prisão e flagrantes


Além do químico, o sócio-proprietário da empresa foi preso em São Paulo, e dois gerentes foram detidos no Rio Grande do Sul. Durante a operação, o diretor administrativo foi flagrado com uma arma de fogo de numeração raspada, e uma funcionária foi presa por embaraçar as investigações ao alertar colegas para esconderem celulares.


Risco à saúde e próximas etapas


O MPRS destacou que análises iniciais detectaram substâncias nocivas nos produtos, mas exames mais detalhados ainda serão realizados para identificar os lotes contaminados. “Enquanto questões básicas como a aplicação da tornozeleira e a conclusão de processos judiciais não ocorrem, ele [o químico] continua aprimorando seus mecanismos e colocando a saúde da população em risco”, ressaltou Rockenbach.


A operação contou com 110 agentes e foi conduzida em parceria com órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), a Receita Estadual e a Delegacia do Consumidor (DECON). A fábrica envolvida segue sendo investigada, com foco no impacto nacional da distribuição de seus produtos.

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