Operação Regenerare investiga fraude em licitações de serviços de limpeza e merenda no RS
- Andressa Brunner Michels - Jornalista - MTB 19281/RS

- 12 de dez. de 2025
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Oito empresas são alvo da Operação Regenerare, deflagrada nesta sexta-feira para investigar um esquema de manipulação em licitações do Governo do Rio Grande do Sul envolvendo serviços terceirizados de limpeza, copa, merenda, cozinha e outras atividades. Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de R$ 60 milhões das contas dos investigados, em Porto Alegre e na Região Metropolitana.
Segundo a 2ª Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública, o grupo empresarial teria atuado de forma coordenada, simulando competição em pregões e dispensas eletrônicas. O objetivo seria frustrar a concorrência real, restringir a participação de outras empresas e garantir o controle de contratos públicos.
As suspeitas surgiram a partir de análises técnicas da Comissão de Revisão de Processos Jurídicos (CRPJ) — formada pela Procuradoria-Geral do Estado e pela Contadoria e Auditoria-Geral — com apoio de dados da Central de Licitações. Os órgãos identificaram padrões anômalos e repetitivos na disputa dos certames.
Com o aprofundamento das investigações, foram descobertas conexões diretas entre os responsáveis pelas empresas. De acordo com a polícia, parte dos sócios era composta por “laranjas”, inseridos nas estruturas societárias apenas para ocultar os beneficiários reais do esquema. A prática, segundo os investigadores, compromete a lisura das contratações públicas e permite que um mesmo grupo controle segmentos inteiros da prestação de serviços, resultando em prejuízos diretos ao Estado.
Em muitos casos, empresas envolvidas não tinham capacidade operacional compatível, acumulando falhas na execução dos contratos e gerando passivos trabalhistas que, posteriormente, recaíam sobre o poder público — que acabava pagando duas vezes: pela contratação e pelos débitos deixados pelas empresas.
As irregularidades incluem situações extremas. Uma das empresas teve, durante dois anos, como proprietário formal, um condenado por roubo que utilizava tornozeleira eletrônica. Nesse período, a empresa venceu 15 licitações e firmou contratos que somam mais de R$ 2 milhões. Outra companhia tinha como sócio um morador de rua com diversos antecedentes policiais.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: Correio do Povo






























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