Os candidatos “forasteiros” estão entre nós e com muita força - Por Bado Jacoby

A campanha eleitoral tomou as ruas de São Leopoldo e, junto com ela, voltou a aparecer uma velha discussão da política local: quem, de fato, vai representar a cidade nos parlamentos estadual e federal?
Basta circular pelas principais vias para perceber a força da propaganda eleitoral. E uma impressão que chama atenção é a presença expressiva de candidatos que não têm em São Leopoldo seu principal reduto político e eleitoral. São nomes de diferentes regiões que chegam à cidade em busca de votos, quase sempre amparados por alianças e lideranças locais.
É parte legítima do jogo eleitoral. Deputados estaduais e federais são eleitos pelo sistema proporcional e podem receber votos em qualquer município do Rio Grande do Sul. Não existe, portanto, uma regra que reserve a representação de São Leopoldo a candidatos domiciliados na cidade. Mas existe uma questão política que merece ser discutida.
Quando os votos de uma cidade se espalham entre muitos candidatos locais e também entre nomes de fora, aumenta a possibilidade de a representação local ficar pulverizada. São Leopoldo tem atualmente uma quantidade significativa de candidaturas próprias: são sete nomes com domicílio eleitoral na cidade disputando a Câmara dos Deputados e nove buscando uma vaga na Assembleia Legislativa.
Cada candidatura tem sua legitimidade, suas propostas e seu grupo político. O problema não está na existência dessa diversidade. Está no efeito que a fragmentação pode produzir nas urnas.
Enquanto isso, candidatos de outras cidades chegam com estruturas eleitorais consolidadas e procuram aliados locais para ampliar sua votação. São Leopoldo passa, assim, a ser também território de disputa para projetos políticos construídos fora daqui.
E aqui está o ponto central: uma cidade com mais de 160 mil eleitores precisa transformar seu peso eleitoral em representação política? A resposta depende do eleitor.
O voto é individual e cada cidadão escolhe livremente quem considera capaz de representá-lo. Mas, depois da eleição, a cidade terá de conviver com o resultado das escolhas feitas nas urnas.
A questão não é impedir os chamados “forasteiros” de buscar votos em São Leopoldo. É saber se a cidade conseguirá organizar sua força eleitoral para eleger representantes identificados com suas demandas.
Porque, no fim das contas, o que está em disputa não é apenas uma vaga na Assembleia ou na Câmara. Está em jogo o tamanho da voz de São Leopoldo nos próximos quatro anos.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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