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Panorama Político: candidatos a vereador de São Leopoldo debatem sobre infraestrutura, saúde e educação

18 de set. de 2024
5 min de leitura

Imagem: Guilbert Trendt/ Start Comunicação

Nesta quarta-feira (18), o Programa Panorama Político seguiu com a apresentação das propostas de candidatos que disputam ocupar uma das cadeiras da Câmara de Vereadores de São Leopoldo. Nesta edição os entrevistados foram Anderson Etter (PT) e Jeferson Falcão (PL).


A corrida eleitoral para as cadeiras de vereadores em São Leopoldo tem sido marcada por discursos que refletem o perfil, a trajetória e as principais bandeiras dos candidatos. Ambos trouxeram suas perspectivas e experiências para a mesa, oferecendo propostas focadas em melhorias essenciais para a cidade, especialmente após os desafios recentes, impostos pela enchente de maio e pela pandemia de Covid-19.


Anderson Etter: experiência administrativa e sanitária


Anderson Etter, funcionário concursado do Semae há 25 anos, destacou sua trajetória na gestão pública e seu profundo conhecimento sobre a cidade. Ele trouxe à tona a questão das enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul recentemente, mencionando a importância de enfrentar as mudanças climáticas. Para Anderson, o aquecimento global é um fator inegável que intensificará esses desastres no futuro.


O candidato a vereador ressaltou ainda as ações tomadas pela prefeitura para minimizar os danos, como a elevação dos diques em 50 cm, a modernização das casas de bombas e a construção de um dique na região da Feitoria. “Essas são medidas fáceis para evitar crises maiores”, disse, defendendo uma abordagem estruturada para a gestão dos recursos hídricos.


Falcão: gestão de crises e urgência de uma saúde mais eficiente


O vereador Falcão, em seu primeiro mandato, destacou sua experiência de 19 anos como servidor público na área de educação e sua atuação como conselheiro tutelar. Ele criticou a resposta do governo municipal diante das enchentes, afirmando que houve falhas na aplicação dos recursos federais destinados à manutenção das diques e das casas de bombas. Segundo Falcão, a Defesa Civil de São Leopoldo foi despreparada para lidar com o desastre, o que ficou evidente quando equipes de outros municípios precisaram intervir com equipamentos básicos, como barcos e caminhonetes. “Houve um descaso com a Defesa Civil ao longo dos anos. Faltou investimento”, afirmou.


Saúde


Anderson Etter, em sua fala, também abordou o problema da saúde, destacando a necessidade de ampliar a cobertura de atenção básica. "Nossa meta é passar de 70% para 100% o atendimento na saúde básica, da atenção básica de saúde", explicou.


Ele também propõe uma reestruturação do Hospital Centenário para se tornar um hospital-escola, além de zerar a fila das cirurgias eletivas. "O projeto para constituir o Hospital Centenário como um hospital-escola, com a conclusão do centro de especialidades, está sendo apresentado. E temos como objetivo zerar a fila das cirurgias eletivas, que ainda sofre os impactos do período da pandemia", garantiu.


Anderson destacou ainda a importância de garantir o acesso aos serviços de saúde por meio do transporte gratuito. "Uma pessoa que não pode se deslocar até uma unidade de saúde, ou realizar um exame, muitas vezes não tem os R$ 5 da passagem.O nosso projeto de tarifa zero no transporte coletivo tem o objetivo de atender essa demanda", comentou.


Já Falcão destacou os problemas enfrentados pela saúde pública em São Leopoldo, apontando a ineficiência da gestão. Ele critica o fato de uma cidade ter passado por quatro gestores na área da saúde, prejudicando o atendimento à população. "Vimos neste último período quatro gestores. Chegamos a ter quatro gestores na saúde.. O que a gente vê na prática é que são quatro secretarias e, aos olhos das pessoas, muitos [pensam que] a Fundação de Saúde, por exemplo, parece ter sido criada só para acomodar alguns companheiros, porque na prática ela não dá muitos resultados", afirmou.


Sobre a inclusão e o atendimento a crianças autistas, Falcão afirmou sobre a negligência do governo municipal. "A pauta do autismo e da inclusão foi esquecida pelo governo municipal. Temos uma fila represada de mil crianças aguardando o atendimento com neuropediatra. Como que a mãe vai ter um diagnóstico e pedir o encaminhamento para especialistas se não tem o básico, que é o neuropediatra?" questionou o vereador.


Ele também criticou a falta de pediatras e a dificuldade das mães em conseguir atendimento para seus filhos. "Muitas mães me chamaram e procuraram, porque de noite, no final de semana, sem dinheiro para Uber, como uma mãe vai levar seu filho ao médico na UPA da Scharlau ou no Hospital Centenário?" Falcão defende uma mudança estrutural na saúde, destacando a necessidade de transformar o Centro de Saúde da Feitoria em uma UPA 24 horas. "Uma das nossas propostas é transformar o Centro de Saúde da Feitoria em uma UPA 24 horas, para desafogar a UPA da Scharlau e o Hospital Centenário", argumentou.


Educação


Falcão reforça a importância de valorizar os profissionais das escolas. "Para melhorar a educação, a gente precisa cada vez mais fomentar e valorizar todos os profissionais da educação, e não falo só dos professores, mas também das merendeiras, do pessoal da limpeza. Eles recebem muito pouco pelo trabalho que fazem", explicou.


Ele destacou ainda os desafios enfrentados pelas crianças com necessidades especiais, devido à falta de profissionais importantes. "No início do ano letivo, muitas crianças começam a estudar apenas em abril ou maio, devido à falta de profissionais de apoio. Hoje temos estagiários [o que não é demérito] cuidando de crianças com necessidades especiais graves, o que não é adequado para esses casos, necessidades de profissionais específicos", disse.


O vereador criticou ainda o uso de estagiários para lidar com crianças autistas. "A gente não pode ter profissionais de apoio, estagiários, para correr atrás das crianças autistas pelo pátio. Não é esse o trabalho do profissional de apoio. Ele deve auxiliar o professor e a criança não seu desenvolvimento e aprendizado", comentou.


Anderson Etter, por sua vez, reforçou a importância de um sistema educacional inclusivo, relatando a realidade de muitas crianças que enfrentam dificuldades básicas, como a falta de alimentação. "Uma professora comentou que uma criança queria sair mais cedo da aula, e quando ela perguntou o motivo, a criança disse: 'lá em casa, nós somos entre quatro ou cinco irmãos. A mãe leva o pão, e quem chega primeiro...' Como uma criança tem condições de estar atenta ao que o professor ensina, se falta o mais básico, o que é a alimentação?" refletiu.


Ele também destacou a necessidade de incorporar a educação socioambiental no currículo escolar. "A educação socioambiental precisa compor a série curricular das escolas de São Leopoldo. Nos próximos dias, teremos a chegada do Barco-Escola Peixe Dourado, que foi um projeto desenvolvido enquanto eu estava na Secretaria de Meio Ambiente, com o objetivo de educar os jovens sobre questões ambientais", propõe.


Ao final, Anderson reforçou a importância da educação para preparar as crianças para os desafios futuros, especialmente relacionados à crise climática. "Precisamos pensar a educação de forma que ela dialogue com a crise climática, que continuará afetando nossa sociedade. Os menos assistidos serão os mais impactados, a educação precisa preparar as novas gerações para lidar com isso", reconheceu.


A gravação completa do Programa Panorama Político está disponível nos canais da TV Start News no YouTube e Facebook, e tem reprise nesta quarta-feira (18), às 22h10, na radiostart.com.br. 


Confira a entrevista completa:


Amanda Wolff, da Redação Start



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