PT e PDT de São Leopoldo precisam ter a humildade de ir para o divã da política - Por Bado Jacoby

O resultado das eleições de 2026 impõe à centro-esquerda de São Leopoldo uma reflexão que não pode mais ser adiada. PT e PDT, partidos historicamente importantes na política local, precisam ter a humildade de olhar para as urnas e reconhecer que há muito a ser repensado.
Na disputa pelo Governo do Estado, a aliança entre os dois partidos ficou praticamente restrita à formalidade. Em São Leopoldo, não houve sequer uma coordenação conjunta de campanha. O PDT manteve uma postura distante durante boa parte da disputa, enquanto seus principais quadros atuaram sem uma estratégia política comum.
O resultado expôs um PDT dividido e com dificuldades para transformar sua presença institucional em força eleitoral. Ter cinco vereadores na Câmara não significa, necessariamente, ter grandeza ou unidade política. A eleição mostrou que bancada numerosa e capacidade de mobilização são coisas diferentes.
O partido precisa decidir o que quer ser e qual projeto pretende apresentar para São Leopoldo. Sem isso, corre o risco de continuar funcionando mais como espaço de interesses individuais do que como uma organização política com identidade e estratégia coletiva.
O PT também recebeu um recado importante das urnas. O partido continua tendo em Ary Vanazzi uma de suas principais referências, depois de quatro mandatos como prefeito. Mas até mesmo Vanazzi sentiu os efeitos do desgaste de um ciclo político. Na campanha para deputado, correu praticamente sozinho, sem a presença e a mobilização que historicamente marcaram a militância petista.
O PT precisa renovar nomes, discurso e formas de dialogar com uma cidade que mudou. A força de Vanazzi continua sendo importante, mas nenhum partido consegue depender indefinidamente de uma única liderança.
PT e PDT precisam ir para o divã da política. Não como punição, mas como exercício de autocrítica. Precisam olhar para seus resultados, reconhecer erros, discutir seus projetos e entender o que o eleitor está dizendo. A eleição de 2026 deixou o recado. Para chegar a 2028, a centro-esquerda leopoldense terá primeiro que se reencontrar consigo mesma.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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