Quando a política pública protege mulheres - Por Nana Vier
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Agosto veste-se de lilás para lembrar que a violência contra a mulher não é um problema particular, escondido atrás da porta de uma casa. É uma questão social que exige informação, acolhimento, proteção e ação permanente do poder público.
Durante muito tempo, esperou-se que a mulher encontrasse sozinha uma saída. Cabia a ela denunciar, abandonar a casa, proteger os filhos, garantir o sustento e ainda provar que estava dizendo a verdade. A sociedade perguntava por que ela não ia embora, quando a pergunta correta deveria ser: quais condições estamos oferecendo para que ela consiga sair com segurança?
São Leopoldo mostra que políticas públicas estruturadas produzem resultados. A redução da violência contra a mulher no município não aconteceu por acaso. É resultado de um trabalho que reúne atendimento especializado, assistência social, saúde, segurança, orientação jurídica, ações educativas e acompanhamento das mulheres que necessitam de proteção.
A Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, a Ronda Lilás da Guarda Civil Municipal e os demais serviços que integram a rede cumprem funções diferentes, mas precisam atuar como partes de um mesmo caminho. Uma mulher não pode ser obrigada a contar sua história inúmeras vezes, peregrinando de serviço em serviço enquanto tenta sobreviver ao medo. Quando a rede está organizada, ela encontra escuta, orientação e proteção.
Esse trabalho também ajuda a identificar violências que nem sempre deixam marcas na pele. O controle do dinheiro, a fiscalização do celular, o afastamento da família, as ameaças, a humilhação e a proibição de trabalhar são formas de violência. Muitas vezes, elas antecedem a agressão física e vão retirando, pouco a pouco, a autonomia e a confiança da mulher.
Por isso, enfrentar a violência exige mais do que atender a emergência. É preciso garantir condições para a reconstrução da vida. Qualificação profissional, acesso ao trabalho, educação financeira, incentivo ao empreendedorismo e redes de apoio também fazem parte da proteção. Uma mulher com renda, informação e suporte possui mais possibilidades de romper o ciclo de violência.
A política pública funciona quando enxerga essa mulher por inteiro. Ela pode precisar de uma medida protetiva, mas também de atendimento de saúde, apoio psicológico, vaga para o filho, oportunidade profissional e um lugar seguro. Nenhuma secretaria, instituição ou serviço consegue oferecer todas essas respostas sozinho.
O Agosto Lilás deve reconhecer os avanços alcançados em São Leopoldo e, ao mesmo tempo, reforçar a responsabilidade de manter e aprimorar essa rede. Resultados positivos não autorizam descanso. Eles comprovam que o investimento realizado está no caminho certo.
Combater a violência contra a mulher não é apenas punir o agressor depois que o pior aconteceu. É prevenir, identificar os primeiros sinais, acolher sem julgamento e agir antes que a violência avance.
Quando o poder público assume essa responsabilidade, a mulher deixa de ser tratada como alguém que precisa encontrar uma saída sozinha. Ela passa a ser reconhecida como cidadã, com direito à segurança, à autonomia e a uma vida sem medo. Política pública bem construída não produz apenas números melhores. Ela protege mulheres e salva vidas.

Nana Vier, é professora e escritora
























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