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Quando errar vira ser uma “má” mãe - Por Paula Suséli Silva

Tem um lugar silencioso na maternidade que quase ninguém fala. Não é cansaço. Não é a rotina. É o lugar da vergonha.


Muitas de nós fomos criadas em um modelo autoritário, onde obedecer era mais importante do que sentir. Onde o adulto tinha razão, e ponto. E hoje a gente tenta fazer diferente, busca uma educação mais respeitosa, mais consciente, mais conectada. Só que a gente ainda não tem as ferramentas, não temos modelo pra isso e não estamos acostumados com a ideia de estudar pra ser mãe. E aí oscila. Vai do controle pra permissividade. E, quando nos perdemos de novo, da permissividade para o autoritarismo.


Nesse pêndulo, inevitavelmente, a gente erra. E errar, na nossa cultura, deixou de ser parte do processo de aprendizado humano e passou a ser interpretado como um indicador de valor pessoal. Errar é fracassar. Esse é um terreno muito fértil pra vergonha crescer. A Brené Brown, no livro A coragem de ser imperfeito, fala que vergonha é esse sentimento profundo de acreditar que tem algo de errado com a gente, que não somos boas o suficiente para amar, pertencer e nos conectar.


E é exatamente isso que aparece nesses momentos. Não é só: “eu não agi como eu gostaria”. Vira: “que tipo de mãe faz isso?”. Só que quando a gente entra nesse lugar, não tem espaço pra mudança, porque a vergonha não olha pro comportamento. Ela ataca quem a gente é. E aí, ao invés de ajustar o caminho, a gente se perde nele. Oscila mais. Se cobra mais. Na tentativa de não sentir essa dor, começamos a buscar um lugar impossível: acertar sempre. Esquece que perfeição não constrói vínculo. Perfeição constrói performance.


A Brené traz outra coisa muito importante: a vergonha cresce no silêncio: quanto menos a gente fala sobre isso, mais ela ganha força. Esse é mais um motivo pra que a maternidade pareça tão pesada às vezes. Porque a gente erra, como qualquer ser humano, mas sente que não pode falar sobre isso. A vulnerabilidade entra aí, na coragem de se expor como mãe, de verdade, e correr o risco de não ser vista como boa o bastante. Isso mexe com algo muito profundo: o medo de perder vínculo, de não ser aceita, de não ser amada.


O curioso é que, justamente quando a gente consegue sustentar essa vulnerabilidade, sem se destruir por dentro, o vínculo se fortalece. Com os filhos, e com a gente mesma. Não é confortável. Não é linear. Mas é real. Conseguir sustentar esse desconforto, olhar e dizer: “isso que eu fiz não está alinhado com a mãe que eu quero ser”, sem precisar concluir que “eu sou uma mãe ruim”, é abrir caminho pra se permitir sentir essa culpa e mudar, sem ficar paralisada pela vergonha.


Muitas mães estão exaustas não só pelo que fazem, mas pelo que sentem e não conseguem dizer.


Paula Suséli Silva. Mãe de gêmeos. Practioner em PNL e Mestre em Saúde Coletiva.

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