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Quando escrever sobre mulheres significa encarar nossos próprios preconceitos - Por Bado Jacoby

Escrever sobre mulheres não é uma tarefa simples. Aliás, talvez seja uma das mais complexas que existem. Porque, antes de qualquer palavra, existe a responsabilidade de compreender que as causas das mulheres não são apenas delas. São, na verdade, causas de toda uma sociedade que se pretende civilizada, consciente e justa, mas, que ainda se revele profundamente machista e preconceituosa.


Escrever sobre mulheres exige cuidado, exige sensibilidade e principalmente, cuidado para não cair na tentação do oportunismo tão comum em tempos de redes sociais, quando transformar histórias em ícones pode render cliques, curtidas, compartilhamentos e, não raras vezes, até vantagens comerciais. É fácil exaltar discursos quando eles servem de vitrine. Difícil é sustentar a coerência quando as luzes se apagam.


Escrever sobre mulheres também exige reconhecer uma realidade incômoda: a de que a maioria delas continua invisível. Invisível no cotidiano, nas decisões, nos espaços de poder e, muitas vezes, até nas narrativas que dizem defendê-las. São mulheres que enfrentam violências de todos os tipos. Violências físicas, psicológicas, sociais e que ainda carregam o peso cruel de muitas vezes, serem apontadas como culpadas pelas agressões que sofrem.


Escrever sobre mulheres também exige coragem para apontar absurdos, inclusive dentro do próprio universo feminino. Porque, infelizmente, em muitos momentos, a violência e o preconceito não se perpetuam apenas pelas mãos de quem oprime, mas também pelo silêncio, pelo distanciamento ou até pelo deboche de mulheres que, em vez de apoiarem essas causas, acabam desacreditando ou ridicularizando aquelas que se colocam à frente da luta por igualdade e respeito.


Escrever sobre mulheres é, portanto, um exercício de honestidade. É ter a coragem de reconhecer que o machismo está entranhado na cultura, nos hábitos e até nas lembranças mais comuns. Quantas vezes, ao contar uma história familiar, por impulso, colocamos as mulheres no cenário da cozinha? Talvez, não por maldade deliberada, mas porque a sociedade nos ensinou quase como reflexo automático, que aquele seria o seu lugar.


Esse tipo de percepção não surge de um dia para o outro. Ela nasce do convívio, da observação e, principalmente, da capacidade de rever conceitos.


Talvez por isso escrever sobre mulheres seja, antes de tudo, um processo de aprendizado e um exercício permanente de escuta, de respeito e de reconhecimento.


E, no fim das contas, fica também a gratidão. Gratidão à vida pela oportunidade de conviver com mulheres que ensinam, que enfrentam, que transformam e que resistem todos os dias e na maioria das vezes sem aplausos, sem manchetes e sem reconhecimento.


Porque escrever sobre mulheres não é apenas descrever histórias. É admitir que ainda temos muito a aprender.


E que essa aprendizagem exige duas coisas raras: coragem e sensibilidade. Ou seja, não é fácil escrever sobre a verdadeira realidade das mulheres.


Bado Jacoby, é repórter e apresentador da Start Comunicação

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