Quando uma solenidade institucional vira palanque político - Por Bado Jacoby

A inauguração do novo campus do IFSul em São Leopoldo deveria ser lembrada pela importância da educação, pelas oportunidades aos estudantes e pelo impacto no desenvolvimento do município. Mas, em alguns momentos, a solenidade institucional acabou dividindo espaço com manifestações políticas que chegaram perto dos limites da civilidade.
O evento reuniu autoridades, representantes da educação, entidades empresariais e sindicais, lideranças políticas e estudantes. Entretanto, a proximidade de uma eleição acirrada, em um país profundamente dividido, ficou evidente em discursos que transformaram parte da cerimônia em palanque.
As manifestações dos deputados federais Miguel Rossetto e Maria do Rosário, tiveram um tom agressivo para a ocasião. A defesa de posições políticas e as críticas aos adversários fazem parte da democracia. O problema está na maneira e no ambiente escolhidos. Uma solenidade dedicada à educação exige respeito às diferentes correntes de pensamento e às pessoas que não participam diretamente da disputa eleitoral.
Nesse cenário, a fala do prefeito Heliomar Franco, do PL, ganhou significado especial. Integrante de um partido de oposição ao PT, ele reconheceu publicamente a contribuição do ex-prefeito Ary Vanazzi (PT) para a implantação do campus em São Leopoldo.
De maneira tranquila e respeitosa, Heliomar explicou a importância da presença de Vanazzi entre as autoridades. Um gesto simples, mas politicamente relevante. Reconhecer o trabalho de um adversário não significa abrir mão das próprias convicções.
A inauguração do IFSul é uma conquista para São Leopoldo, para a formação profissional dos jovens e para o desenvolvimento econômico da região. Por isso, deve ser celebrada pela comunidade, independentemente de partidos ou ideologias.
A proximidade das eleições pode acirrar os ânimos, mas não justifica transformar uma cerimônia institucional em espaço de hostilidade política. A educação deve ser um ambiente de conhecimento, convivência e respeito às diferenças.
Em tempos de tanta polarização, a postura de Heliomar deixa uma reflexão importante. A civilidade não é sinal de fraqueza, mas uma demonstração de maturidade democrática e respeito à sociedade.
Bado Jacoby é titular da coluna Radar da Política

























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