Reforma da Previdência em São Leopoldo: a injustificável omissão do governo municipal e de parte dos vereadores

A reforma da Previdência dos servidores municipais de São Leopoldo não pode ser debatida e construída com apenas um dos lados tentando dialogar. O assunto envolve milhares de trabalhadores e exige responsabilidade dos três protagonistas dessa discussão, servidores, Câmara de Vereadores e governo municipal.
“Contrariando essa lógica, o que se vê é a participação ativa dos servidores nos debates, tendo o CEPROL Sindicato como principal representante orgânico da categoria nesse assunto. A entidade vem mobilizando os trabalhadores, promovendo discussões e buscando esclarecimentos, enquanto vereadores e representantes do Executivo deixam a desejar na participação e no diálogo.”
Na reunião desta quarta-feira, 14 de outubro, da Frente Parlamentar criada para discutir a Previdência municipal, apenas quatro vereadores estiveram presentes. Compareceram Fabiano Haubert e Jonhson Souza, do PDT, e Anderson Etter e Professor Ricardo, do PT. A ausência dos demais parlamentares é, no mínimo, preocupante, especialmente porque a iniciativa foi criada com o apoio e a assinatura de todos os vereadores leopoldenses.
Cada parlamentar tem o direito de concordar ou discordar de uma eventual reforma. O que não pode é se omitir de um debate que poderá impactar diretamente o futuro de milhares de servidores. O mandato exige posicionamento, participação e responsabilidade, sobretudo diante de uma questão dessa dimensão.
O governo municipal também precisa rever sua postura e ampliar a presença no diálogo. Não é razoável que os representantes dos servidores tenham de insistir praticamente sozinhos para obter informações e discutir alternativas para uma questão tão complexa.
Há ainda um ponto fundamental que não pode ser ignorado. Os problemas atuariais dos fundos previdenciários municipais precisam ser analisados com transparência, considerando as decisões administrativas tomadas ao longo das últimas décadas, as contribuições realizadas e as responsabilidades de cada parte. Não se pode simplesmente transferir aos servidores o peso de um eventual desequilíbrio sem explicar suas causas e apresentar os dados que sustentam as medidas propostas.
É surreal imaginar que os trabalhadores, que dependem da Previdência para garantir seu futuro após anos de serviço público, sejam chamados a pagar uma conta sem participar efetivamente da construção da solução. Qualquer reforma precisa ser sustentada por estudos, transparência e diálogo real, não por decisões impostas ou discussões esvaziadas, ainda mais quando se sabe que o grande responsável por essa situação é irresponsabilidade administrativa de vários governos municipais nas últimas décadas.
Vereadores(as) e governo municipal não podem fugir desse debate. A reforma da Previdência exige coragem para enfrentar os números, explicar as responsabilidades e construir alternativas. O silêncio e a ausência não resolvem o problema. Apenas ampliam a desconfiança e o sentimento de desrespeito de quem dedicou anos de trabalho ao serviço público de São Leopoldo.
Bado Jacoby é titular da coluna Radar da Política

























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