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Saída de André Rotta expõe uma corda que esticou demais entre Conselho de Saúde e administração municipal

há 6 dias
2 min de leitura

A saída do empresário André Rotta da presidência do Conselho Municipal de Saúde de São Leopoldo, anunciada nesta semana, não representa apenas uma mudança no comando de um dos mais importantes colegiados de participação social do município. Ela encerra, pelo menos por enquanto, um período marcado por cobranças, denúncias, enfrentamentos e uma relação cada vez mais desgastada entre o Conselho e a administração municipal.


Rotta é uma figura bastante conhecida nos espaços de participação da sociedade civil de São Leopoldo. Atua em diferentes conselhos, preside o Conselho Municipal de Turismo e participa de discussões relacionadas à cultura. Seu perfil é combativo, direto e pouco disposto a deixar questões polêmicas passarem sem questionamento.


Na Saúde, esse comportamento ficou ainda mais evidente. São Leopoldo convive há décadas com problemas estruturais na área, envolvendo Hospital Centenário, atendimento, contratos, serviços, recursos e as dificuldades enfrentadas por trabalhadores e usuários.


Nesse cenário, o Conselho Municipal de Saúde tem papel fundamental. Não existe para ser braço da Prefeitura, nem para simplesmente concordar com o governo de plantão. Sua função é fiscalizar, cobrar, acompanhar e representar a sociedade na discussão das políticas públicas.


Durante a presidência de Rotta, o Conselho adotou uma postura mais contundente diante de questões da saúde municipal. O confronto passou a fazer parte da rotina. Para quem defendia uma fiscalização mais rigorosa, essa postura representava avanço. Para quem estava do outro lado da mesa, porém, a relação foi ficando cada vez mais difícil. Talvez a melhor imagem para esse momento seja a de uma corda que esticou demais.


Fiscalização, cobrança e divergência são necessárias. Mas, quando praticamente toda discussão termina em confronto, a capacidade de construir soluções pode acabar prejudicada.


A saída de Rotta não deveria significar o retorno de um Conselho acomodado, muitas vezes confundido com uma espécie de “chapa branca”. Da mesma forma, a força do colegiado não pode estar apenas no enfrentamento permanente.


A independência precisa ser preservada, assim como a fiscalização e as denúncias quando necessárias e fundamentadas. Mas também será preciso reconstruir canais de diálogo. Conselho e governo não precisam concordar. O Conselho deve questionar e fiscalizar. Existe, porém, uma diferença importante entre ser independente e estar permanentemente em confronto.


Agora, o desafio será saber qual caminho o colegiado seguirá. A corda esticou. Resta saber se será novamente afrouxada para permitir o diálogo, sem abrir mão da cobrança e da fiscalização que justificam a própria existência do Conselho.


Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

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