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Sem muito o que fazer na Itália, Bolsonaro resolve acusar Lula de ligação com narcotráfico


O chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro (sem partido), criticou duramente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em entrevista ao canal de notícias italiano SkyTg24, gravada e transmitida neste domingo (31/10) pela emissora. O titular do Palácio do Planalto acusou o petista de ter sido “financiado” pelo narcotráfico e disse que Lula é um “oportunista” e que “quase” faliu a Petrobras.

“Lula me acusa de genocídio, porque é um oportunista. Conto o último caso que emergiu. O chefe do Serviço Secreto da Venezuela, preso faz pouco tempo, disse que Lula recebia dinheiro e que todas as autoridades de esquerda recebiam financiamentos do narcotráfico, dinheiro enviado também à Espanha”, afirmou o mandatário da República ao canal italiano.


Bolsonaro também disse que “Lula quase levou à falência a nossa empresa petrolífera, a Petrobras”. “É uma longa história. A sua liderança política começa com as Farc [Forças Armadas Revolucionária] colombiana. A partir deste momento, começou a sua relação com o narcotráfico”. O chefe do Executivo brasileiro ainda insinuou que o ex-presidente tem ligações com “grupos terroristas do mundo todo”.


De acordo com o titular do Planalto, “um milagre salvou o Brasil” após a queda de Dilma Rousseff (PT) e sua “ascensão” em 2018.

O presidente citou, ainda, que Lula foi condenado em três instâncias. Porém, segundo Bolsonaro, o petista acabou tendo o processo anulado “por um casuísmo” pelo Supremo Tribunal Federal.


“Mas o escândalo da corrupção que ele se envolveu deixou uma marca muito forte no Brasil”, frisou.


As informações citadas pelo mandatário da República são de entrevista do general venezuelano chavista Hugo Armando Carvajal, detido em Madri e considerado fugitivo nos EUA. Ex-oficial da inteligência da Venezuela, Carvajal é acusado de tráfico de drogas pela Justiça americana e já teve a extradição determinada pelas autoridades espanholas. Caso seja condenado nos Estados Unidos, pode pegar prisão perpétua.


Vacina


Na entrevista, o presidente brasileiro também falou sobre vacinação. Bolsonaro argumentou que o Brasil “vai bem” nessa questão. Sem mencionar a demora para comprar os imunizantes em relação a outros países, alegou que o governo dele “sempre” foi “a favor da vacina” e que destinou muitos recursos para a compra de imunobiológicos.


O chefe do Planalto também voltou a defender indiretamente o que os bolsonaristas chamam de tratamento precoce contra Covid-19. À emissora italiana Bolsonaro pregou que “os médicos devem ter a autonomia sobre como tratar o paciente e qual remédio escolher para a cura”.


O presidente brasileiro defendeu-se das críticas de desmatamento na Amazônia, as quais tentou relacionar com uma “guerra de poder”. “A Amazônia não está queimando, porque é uma floresta úmida, pega fogo só nas áreas periféricas. Tem também os desmatamentos ilegais que nós combatemos. Tanto é que este ano estamos indo tão bem que a imprensa não diz mais nada sobre isso”, disse.


Amazônia


Ao comentar a questão ambiental, Bolsonaro voltou a dizer que a floresta amazônica não pega fogo e afirmou que o Brasil era exemplo de preservação para o mundo.


“O Brasil é um país que emite apenas 1,7% de carbono. Pela sua grandiosidade, pelo que produz, pelo agronegócio que gera carbono, nós somos exemplo para o mundo. Até mesmo dois terços do território brasileiro estão totalmente preservados, mas chega muita coisa errada para cá. Porque é uma briga de poder no Brasil. Por eu estar lá e ser diferente dos que me antecederam, é muita crítica em cima de mim no tocante à Amazônia”, assinalou.


“A Amazônia não pega fogo, ela é uma floreste úmida. Pega fogo na periferia. Existia, sim, um desmatamento ilegal, foco de incêndio ilegal, que nós combatemos. Neste ano, estamos tão bem que a imprensa não fala nada”, acrescentou.


Procurada pelo Metrópoles, a assessoria do ex-presidente Lula chamou o atual mandatário da República de “mentiroso”. “Todo mundo sabe, no Brasil e no mundo, que Bolsonaro é um mentiroso e que as falas dele não procedem.”


Presidente brasileiro a margem na COP26

A presença de Jair Bolsonaro e do Ministro das Relações Exteriores, Carlos França, na COP26 já era dada como improvável na semana anterior. Em vez de participar do maior evento diplomático em anos, o presidente preferiu homenagear militares que lutaram na Segunda Guerra Mundial, na Itália, e fazer uma visita à cidade de seus antepassados, no norte do país europeu.


O motivo é simples: o governo brasileiro não tem notícias boas para levar. Pelo contrário. No primeiro ano de implementação do Acordo de Paris, o Brasil tem apenas dados de aumento do desmatamento e das emissões de carbono.


Fonte: Portal Metrópoles

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