Sobre um Programa de Televisão... - Por Daniela Bitencourt Andara
- Start Comunicação

- há 47 minutos
- 2 min de leitura
Eu não assisto ao BBB (Big Brother Brasil).
Corrigindo: Não assisto oficialmente. Não sei quem é líder. Não entendo direito a dinâmica. Jamais saberia explicar o que é um “sincerão” sem parecer que estou falando de marca de produtos de limpeza.
Mas.... curiosamente (acredite!), sei o que acontece diariamente.
Sei quem brigou no quarto, quem chorou na cozinha, quem “extrapolou no personagem”, quem manipula, quem assedia, quem “se revelou como realmente é”. Vida real??? Parece muito!!!
O BBB chega por tabelinha: grupo da família, fila do mercado, stories inflamados, pessoas que garantem que este será o último ano que assistem...
A dinâmica do programa é fazer com que um grupo de pessoas convivam lá dentro como irmãos (brothers!). O que já é uma ousadia. Convivem sem poder dar aquela fugidinha, sem dar aquela respirada funda (estratégica!), sem o famoso “depois a gente conversa”. Convivem como na vida real (sem boletos mensais, mas muitas câmeras!!!).
Aqui fora, há anos, muitas pessoas torcem e julgam desconhecidos, (vistos por recortes de trinta segundos nas mídias), com propriedade. Decidem quem é estrategista, falso, manipulador, quem é "do bem", quem é "do mal" e quem “é planta”.
O curioso é que apesar do lucro da emissora e, sabendo que uma grande maioria faz vistas grossas, o programa na rede aberta, já veterano, continua. Tinha tudo para não vingar.....mas...... Talvez, porque ele crie uma ilusão, não permitindo olharmos para nós mesmos. É mais confortável apontar o erro alheio do que admitir que também erramos: falamos demais, ouvimos de menos, manipulamos, erramos o tom e pedimos desculpas vazias.
Dizem que o BBB tem a magia de revelar quem a pessoa é de verdade.
Discordo. Ele amplia!!! Amplia o ego, a insegurança, a manipulação, a disputa, a carência e, muitas vezes, a vontade de ser aceito. Coisas que todos nós, hora ou outra, sentimos ou presenciamos: na família, na roda de amigos, no trabalho..... só que conseguimos esconder (ou não!), sem câmeras, fora do horário nobre.
No fundo, este reality, é como aquele espelho do provador de lojas: não há nada novo, apenas nos mostra o que já estava ali, só que com uma luz, que por vezes, não nos favorece.
E por fim, (para quem não assiste, mas sabe tudo...): antes de eliminar alguém no paredão da vida alheia, vale dar uma olhada no próprio jogo.
A vida real não tem replay, nem edição, e, definitivamente, não tem botão de “mudo”.
E nesse reality chamado vida real… a gente precisa assistir e entrar no jogo todos os dias!

Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo































Comentários