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Solidariedade marca entrega de doações a desabrigados em São Leopoldo


Imagem: Ricardo Giusti/ Correio do Povo.

Um extenso e solidário cordão humano. A primeira imagem à vista de qualquer pessoa que chegava ao Ginásio Municipal Celso Morbach, em São Leopoldo, neste sábado (17), era de dezenas de voluntários – entre crianças, adultos e idosos -, lado a lado, que recebiam doações diretamente dos carros, do asfalto da avenida Dom João Becker, no Centro, e as repassando, mão a mão, até a entrada do local.


Os destinatários são os desabrigados impactados pelo ciclone extratropical que atingiu o RS e que estão, provisoriamente, no ginásio até poderem voltar para suas casas. Algumas destas pessoas, perderam tudo e ainda não sabem para onde vão. O prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, decretou situação de calamidade pública no município, castigado pelos 246 mm de chuva entre o meio da noite desta quinta (15) e a madrugada desta sexta-feira (16) um volume histórico nunca antes registrado na cidade..


Até o início da tarde desse sábado, mais de 200 voluntários, entre funcionários públicos, integrantes de instituições, profissionais de empresas e membros da comunidade, recebiam roupas, edredons, alimentos, água, materiais de higiene, colchões e outros objetos que chegavam a todo o momento para auxiliar os desabastecidos. “Na sexta-feira, não eram tantas pessoas. Mas, hoje (sábado), o pessoal acordou com vontade de ajudar e começou a chegar, com este intuito”, disse o guarda municipal Elton Souza. Enquanto os desabrigados estão acomodados na quadra poliesportiva dentro do ginásio, os donativos são separados por características nas arquibancadas: cobertores e colchões de um lado, papéis higiênicos e fraldas em outro.


Segundo o secretário de Assistência Social de São Leopoldo, Fábio Bernardo, são 600 pessoas desalojas e divididas em cinco pontos. “O ginásio é o maior deles, com 350 desabrigados. Temos visto uma solidariedade incrível dos moradores, a quem agradeço. Montamos uma cozinha social, mas muitos pratos e cafés estão chegando prontos para servirmos os que estão aqui”, conta. Ele acredita que, entre este domingo (18) e segunda-feira (19), os impactos pela chuva começarão a voltar para suas moradias. “Vamos precisar de mais materiais de higiene e limpeza para que aqueles locais sejam limpos na intenção dos retornos”, lembrou o secretário.


Ediani de Azevedo, de 43 anos, espera pelo momento com ansiedade. Ela, o marido e duas filhas precisaram sair da residência em que vivem assim que viram a água chegando às canelas quando acordaram na manhã de sexta-feira. “Começou a subir rapidamente, não deu para ficar”, lamenta a moradora do bairro Santos Dumont, que ouviu a informação de que o Rio de Sinos voltará a elevar, aumentando o receio de voltar para casa.


Assim como Ediane, o casal Maria Carvalho, de 62 anos, e José dos Santos, de 60, só teve tempo de pegar algumas roupas e medicamentos. “Começou a chuvarada e quando vimos que não teria mais jeito, peguei a minha ‘receita’, saímos de casa e dormimos na rua”, conta a aposentada. Deitados em colchões doados, eles esperam reencontrar o lar assim que puderem. Em um papelão estirado ao Lado da cama improvisada, o cachorro Beethoven repousava calmamente. Ele foi resgatado por José quando o nível da água atingiu 30 cm.


“Para chegar na casa, é pior, o volume ‘batia’ nos meus peitos. Não podia deixar o Beethoven, ele é como da família”, explica José, que esperava a doação de um casaco para amenizar o frio.


José acredita que vai poder retomar a vida assim que retornar. Mesma sorte não tiveram os ex-companheiros, mas ainda amigos, João Nascimento e Dinorá Fernandes, que perderam tudo. Eles moram em casas diferentes e passaram pela mesma situação: frágeis residências de madeira que não caíram, mas que foram tomadas pelas águas da chuva. Ambos exibiam sorrisos no rosto para um pequeno Tomás Miguel, de 2 anos, neto de João, que devorava um prato de arroz e feijão. “Foi bastante água. Não conseguimos trazer nada. Se foi cama, TV, geladeira, foi tudo”, disse o morador da região conhecida como Chácara dos Leões, que ainda desconhece o que o futuro lhes reserva.


No ginásio, é realizada uma triagem e acolhimento. Se é verificada alguma anormalidade um atendimento médico é realizado no Ônibus da Saúde e são disponibilizados medicamentos através da Farmácia Móvel. Quem está com roupas molhadas recebe agasalhos e há espaço para os animais de estimação.


Fonte: Correio do Povo



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