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SUCESSÃO DE ARY VANAZZI, OS TRÊS CAMPOS POLÍTICOS POSTOS E EXPOSTOS


As movimentações, reuniões, conversas de corredores, desejos delirantes e tudo mais que cercam uma eleição importante como a de 2024 e que vai decidir a sucessão do prefeito Vanazzi, tem três campos políticos muito bem desenhados e os atores principais deste teatro político, em algum momento não muito distante, terão que se definir e serem definidos.


O CAMPO GOVERNISTA: a tentativa do atual grupo político que governa São Leopoldo, de se manter no poder, que tem PT e PDT como principais forças, sabe que sua chance de vitória, passa pela manutenção da aliança dos dois partidos. Algo que parece óbvio, mas na prática não é bem assim, pelo fato que as disputas internas dos dois partidos são intensas e historicamente sempre são bastantes sanguíneas e deixam feridas abertas que demoram a ser cicatrizadas. O PT não conseguiu consolidar um sucessor natural para Vanazzi e convive com uma disputa interna muito forte entre os vereadores Marcel Frison, Ana Affonso e Nestor Schwertner. A disputa além de enfraquecer internamente o partido, também fragiliza a base governista na câmara de vereadores e é motivo de grande preocupação para o prefeito Vanazzi que vê seus três vereadores eleitos, praticamente abandonarem seus mandatos. Já o PDT, vai enfrentar uma grande disputa interna pelo comando do partido que deve ter eleição em abril ou maio e já tem dois campos bastante definidos que diante dos primeiros movimentos mostra a Vereadora Iara Cardoso em uma possível aliança com o Vereador Fabiano Haubert que devem enfrentar uma também bem possível aliança que agrega o Vereador Adão Rambor, Juliano Maciel, Geison Freitas, Gilmar Pinto que assumiu a vaga de Rafa Souza na câmara de vereadores, Maria Tereza Moura, Jaci Moura e outros setores do partido. O rumo da eleição interna do PDT vai ser decisivo na manutenção da aliança com o PT, até porque é de domínio público da política leopoldense, que existem flertes de alguns setores do partido com outros campos políticos distantes do centro-esquerda. Os outros partidos que fazem parte da aliança que governa São Leopoldo, esperam o desfecho das questões internas do PT e PDT e a partir disto, vão definir seus rumos que em regra são de acordo com a maré mais próxima do poder. Ou seja, o centrão leopoldense como sempre muito pragmático e no poder.


O CAMPO LIGADO AO GOVERNO EDUARDO LEITE: a reeleição de Eduardo Leite deu um plus a mais para o campo político que hoje tem o Vereador Gabriel Dias (Cidadania) como seu principal personagem e que busca colocar na mesma mesa os Vereadores Falcão Mello (MDB), Hitler Pederssetti (União Brasil) e o que restou do PSDB leopoldense depois do arrasa terra dos “senhores da excelência de gestão” que chuparam o partido e deixaram só um caroço seco. Uma costura complexa porque se sabe que Hitler, Falcão Mello e PSDB, são muitos mais próximos do campo de direita do que de um centro onde Gabriel Dias, tenta se firmar como alternativa estilo Eduardo Leite que conseguiu fugir do antagonismo de Onyx Lorenzoni e Edgar Preto na eleição estadual. A tradição política mostra que fotos de reuniões e demonstrações de possíveis alianças, na maioria das vezes não se materializam na hora do vamos ver e muitas vezes servem mais para mostrar “que estamos aqui e somos importantes” e vão ter que conversar com nós. No caso do vereador Falcão, mesmo com toda a legitimidade e força que tenha como um dos protagonistas do MDB leopoldense, os bastidores e outras lideranças não estão convencidos que esta possível aliança seja a melhor para o partido, que não quer cometer o erro de 2020 com a decisão de apoiar Nado Teixeira. Também não é nenhum segredo, que uma parte considerável do MDB leopoldense, flerta com Heliomar Franco e já em 2020, apoiou a candidatura do mesmo para prefeito. Quanto ao Vereador Hitler, muito próximo da direita Bolsonarista de São Leopoldo, se sabe que sua proximidade com Gabriel Dias e Falcão Mello se deve mais por discordâncias com Heliomar Franco, do que por afinidades políticas. Já o valente e aguerrido PSDB leopoldense se torna mais importante por sua ligação com o governo estadual do que por sua densidade eleitoral e seu experiente presidente Claudio Giacomini, sabe muito bem valorizar este fato que pode ser decisivo no sucesso dessas articulações. Como se vê, os bastidores deste campo político, vão muito além do que a sorridente foto de seus principais personagens e Gabriel Dias, vai precisar de muita habilidade para superar todos os interesses periféricos que se apresentam.


CAMPO DE DIREITA LIGADO AO BOLSONARISMO: a votação de Jair Bolsonaro em São Leopoldo não é algo mágico que por decreto se transfira para seus apoiadores mais fiéis na cidade. Mas, é algo a ser respeitado e a partir disso, o campo dito de direita, tenta achar nomes para aproveitar este espólio eleitoral, mesmo que aconteça algum desgaste na imagem do ex-presidente no pós mandato. Este campo político é algo etéreo e não consegue se unir em volta de um nome e se movimenta em várias frentes. Não tem como se falar em direita leopoldense sem a presença da figura de Heliomar Franco sentado na ponta da mesa, pelo simples fato dele ter ocupado este espaço nos últimos anos. Heliomar tem parte do eleitorado que se identificou com Bolsonaro nos últimos anos e mesmo assim vai um pouco além da bolha bolsonarista. A direita leopoldense resiste em se unir e busca alternativas mágicas com nomes sem tradição política no município como forma de “isolar” ou diminuir o tamanho de Heliomar Franco. A direita bolsonarista quer manter a “pureza” do legado do ex-presidente e vai se inviabilizar novamente se não fizer uma urgente leitura do contexto eleitoral municipal que é totalmente diferente do contexto estadual e federal. Exemplo maior que mostra o desencaixe da direita leopoldense, é ver o Vereador Hitler, único representante deste campo, articulando possíveis alianças com Gabriel Dias e Falcão Mello e ao mesmo tempo, tacontecer uma reunião de lideranças que se apresentam como representantes da direita raiz, sem a presença de Heliomar Franco na mesa. Pelo que se viu até agora, a direita Bolsonarista de São Leopoldo está fazendo ensaios políticos para marcar espaços maiores na hora do vamos ver na disputa de 2024. A direita leopoldense vai ter que se materializar não sem muita demora, sob pena de perder sua maior referência, mesmo que isto incomode alguns mais radicais e também de “forasteiros” que querem ocupar este espaço que parece vago, mas todos sabem, que não está.


Como se vê pelo desenho acima, todos os campos políticos vão precisar de muita articulação e engenhosidade para superar suas questões internas e quem tiver mais capacidade para tal, vai se viabilizar como alternativa para a sucessão de Ary Vanazzi. Ou seja, vão ter que primeiro tentar não perder para si mesmo para depois, tentar vencer a eleição para prefeito. Quem não fez esta leitura, é porque não entendeu nada do que está acontecendo na política no berço da imigração alemã no Brasil.


Bado Jacoby, é o titular da coluna Radar da Política

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