Suprema Corte dos EUA reafirma que o poder está no sistema, e não no Presidente de plantão - Por Bado Jacoby
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A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas impostas por Donald Trump vai além de um episódio econômico. Trata-se de uma demonstração clara de que, no país, o poder não reside exclusivamente no presidente de plantão, mas sim, no sistema institucional construído ao longo de mais de dois séculos.
Os Estados Unidos foram fundados sobre uma Constituição que permanece como base de sua estrutura política desde a independência. Essa estrutura chamada de "sistema", sempre garantiu o equilíbrio entre os poderes e limitou ações que possam comprometer interesses considerados centrais para o funcionamento do país. A Suprema Corte, com maioria de juízes de perfil conservador, indicados por presidentes republicanos, mostrou independência ao barrar uma política defendida pelo próprio Trump, também conservador. Ou seja, afinidades afinidades, mas o sistema prevalece.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump adotou uma postura de confronto com diferentes pilares institucionais e econômicos, especialmente ao implementar tarifas elevadas sobre produtos estrangeiros. A medida tinha como objetivo declarado proteger e revitalizar a indústria nacional, mas gerou forte reação do próprio empresariado americano, que recorreu à Justiça alegando prejuízos econômicos e riscos à competitividade.
A decisão judicial da mais alta esfera americana, evidencia que o sistema reage quando interesses econômicos estruturais são ameaçados. Nas últimas décadas, os Estados Unidos reorganizaram sua lógica produtiva, transferindo parte significativa da manufatura para outros países, como China e nações asiáticas. Essa estratégia redefiniu o papel do país na economia global, com maior foco em tecnologia, serviços e poder financeiro.
Ao derrubar as tarifas, a Suprema Corte sinalizou que políticas econômicas que geram instabilidade ou prejuízos amplos podem ser contidas, independentemente de quem esteja na presidência. O episódio reforça que, nos Estados Unidos, o sistema institucional — formado por Constituição, Judiciário e forças econômicas, continua sendo o principal elemento de estabilidade e controle do poder político.
Mais do que uma derrota pontual de um presidente, a decisão reafirma uma característica central da democracia americana: governos passam, mas o sistema permanece como o verdadeiro eixo de sustentação do país.
Bado Jacoby, é repórter e apresentador da Start Comunicação





























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