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São Leopoldo sanciona lei que institui o Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra


Fica instituído o dia 25 de Julho como o Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra no calendário oficial do Município. | Foto: Rodrigo Machado

O prefeito de São Leopoldo, Ary Vanazzi, sancionou a Lei N° 9.389/21 que inclui o 25 de Julho como o Dia de Tereza de Benguela e da Mulher Negra no calendário oficial do Município. O ato ocorreu na segunda-feira, 13 de setembro, na sala de reuniões do gabinete do prefeito e reuniu lideranças comunitárias e integrantes da comunidade negra de São Leopoldo.


Vanazzi reforçou o compromisso da atual gestão com o fortalecimento de políticas públicas de igualdade racial. “Esta é mais uma lei que resgata a história de São Leopoldo do período a Feitoria do Linho Cânhamo, quando mulheres e homens negros eram usados como mão de obra nas plantações. É mais uma forma de recuperarmos um período que geralmente é deixado de lado quando se fala de São Leopoldo. Somos sim, o Berço da Colonização Alemã no Brasil, mas não podemos apagar da memória os acontecimentos anteriores. Essa é uma forma de fortalecer as medidas contra a discriminação baseada no gênero e na etnia com o objetivo de proteger o patrimônio cultural dos afro-brasileiros da nossa cidade”, afirmou.


A autora da lei, vereadora Nadir de Jesus (PT), lembra que o dia 25 de julho marca o Dia Internacional da Mulher Negra e também a trajetória de luta de Tereza de Benguela. “Ela foi exemplo de luta ao se tornar líder quilombola e, posteriormente, uma rainha que resistiu bravamente à escravidão por duas décadas. A data é importante por chamar à reflexão para a situação de um dos setores mais explorados e oprimidos da sociedade, que é a mulher negra, e para os indicadores sociais, econômicos, políticos, que denunciam essa condição da mulher negra na sociedade brasileira”, esclareceu a vereadora.


Também participaram do ato a secretária de Direitos Humanos, Paulete Souto; os vereadores, Tiago Silveira (PT); Tarzan Correia (Republicanos); o presidente do Conselho Municipal de Povos Tradicionais de Matriz Africana (Compotma), pai Dejair Haubert; a presidenta do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres de São Leopoldo (Comdim), Eliene Amorim, e integrantes do governo municipal.


Tereza de Benguela

Conforme publicação no site da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Tereza viveu no século XVIII e foi casada com José Piolho, que chefiava o Quilombo do Piolho até ser assassinado por soldados do Estado. O Quilombo do Piolho também era conhecido como Quilombo do Quariterê (a atual fronteira entre Mato Grosso e Bolívia). Esse quilombo foi o maior do Mato Grosso.


Com a morte de José Piolho, Tereza se tornou a líder do quilombo, e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas.


O Quilombo do Quariterê abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presença de negros e indígenas. Tereza navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal. E todos a chamavam de “Rainha Tereza”.


O Quilombo, território de difícil acesso, foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana, e da venda dos excedentes produzidos.


Tereza comandou a estrutura política, econômica e administrativa do quilombo, mantendo um sistema de defesa com armas trocadas com os brancos ou roubadas das vilas próximas. Os objetos de ferro utilizados contra a comunidade negra que lá se refugiava eram transformados em instrumentos de trabalho, visto que dominavam o uso da forja.


Não se tem registros de como Tereza morreu. Uma versão é que ela se suicidou depois de ser capturada por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770, e outra afirma que Tereza foi assassinada e teve a cabeça exposta no centro do Quilombo.


O Quilombo resistiu até 1770, quando foi destruído pelas forças de Luís Pinto de Sousa Coutinho. A população na época era de 79 negros e 30 índios. Em homenagem a Tereza de Benguela, o dia 25 de julho é oficialmente no Brasil o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data comemorativa foi instituída pela Lei n° 12.987/2014.


Fonte: PMSL

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