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Tarifa de 25% imposta pelos EUA ameaça exportações e empregos nos setores de calçados e armas do Vale do Sinos

A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode atingir em cheio dois dos principais setores industriais do Vale do Sinos: a indústria calçadista e a produção de armas. Com forte dependência do mercado norte-americano, empresas da região já avaliam os impactos da medida sobre exportações, empregos e investimentos.


No caso do setor calçadista, a preocupação é ainda maior. Os Estados Unidos são o principal destino dos calçados brasileiros e respondem por mais de 20% da receita obtida com as exportações do segmento. Apenas no primeiro quadrimestre deste ano, o Brasil embarcou 3,8 milhões de pares para o mercado americano, movimentando US$ 54,5 milhões. Em abril, foram exportados 842,9 mil pares, com faturamento de US$ 14,7 milhões.


A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) alerta que a sobretaxa pode comprometer a recuperação das vendas externas e reduzir a competitividade das empresas brasileiras frente a concorrentes asiáticos, como China e Vietnã. A entidade destaca ainda que muitos dos produtos enviados aos Estados Unidos são desenvolvidos especificamente para aquele mercado, dificultando a busca por novos compradores.


O impacto tende a ser sentido diretamente no Vale do Sinos, principal polo calçadista do país, responsável por concentrar dezenas de fabricantes e milhares de empregos em cidades como Novo Hamburgo, Campo Bom, Sapiranga, Estância Velha e São Leopoldo.


Outro setor estratégico para a economia regional que pode sofrer consequências é o armamentista. Sediada em São Leopoldo, a Taurus é uma das maiores fabricantes de armas do mundo e tem os Estados Unidos como principal mercado consumidor. A empresa exporta para mais de 70 países e mantém milhares de empregos diretos no Rio Grande do Sul.


Segundo entidades industriais, além da redução da competitividade, a taxação pode provocar cortes na produção, revisão de investimentos e até a busca por novos mercados para compensar possíveis perdas nas vendas aos Estados Unidos. O segmento de armas e munições está entre os setores brasileiros que acompanham com preocupação a possibilidade de ampliação das barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano.


Representantes da indústria afirmam que o mercado americano continua sendo estratégico e dificilmente poderá ser substituído no curto prazo, o que aumenta a apreensão entre empresários e trabalhadores do Vale do Sinos diante do novo cenário econômico.


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