Tim Lopes: morte do jornalista completa 20 anos nesta quinta-feira
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- 2 de jun. de 2022
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Nesta quinta-feira (02), a morte do repórter Tim Lopes completa 20 anos. Ele foi assassinado quando fazia uma reportagem sobre abuso de menores e tráfico de drogas no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio. Tim foi capturado, torturado e executado por traficantes. A confirmação veio após uma semana do desaparecimento.
Passadas duas décadas, dois dos acusados morreram, entre eles, o traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, apontado como chefe do grupo. Outros quatro criminosos estão em liberdade e um está preso.
Tim Lopes tinha mais de 30 anos de carreira quando foi torturado e assassinado, em uma trajetória sempre marcada por uma obsessão: combater a violência, as injustiças e as desigualdades sociais por meio do jornalismo.
Em suas matérias, o repórter assumiu disfarces para denunciar o que estava errado. Ele foi pedreiro para mostrar a dura vida dos canteiros de obras. Fingiu ser dependente químico para revelar irregularidades em clínicas de tratamento. Chegou até a se vestir de Papai Noel para falar do Natal de crianças que não tinham a esperança de receber a visita do Bom Velhinho.
Até hoje, o julgamento dos responsáveis pelo crime é visto como um dos maiores processos do Judiciário fluminense. O processo foi concluído com 13 volumes.
Na manhã desta quinta, o jornalista Bruno Quintella, filho de Tim, fez uma homenagem ao pai em sua rede social. "Metade da minha vida sem você por perto, sem seu abraço, sem ouvir sua gargalhada, sem trocar ideias, sem ir aos jogos do Vasco. É uma saudade que não passa nunca. É uma dor que não vai acabar, mas que tentamos a cada ano — minha família, eu, seus amigos — a lidar com ela".
A situação dos condenados
Elias Pereira da Silva (Elias Maluco) - Morto em 2020 em uma cela do presídio federal de Catanduvas (PR);
Claudino dos Santos Coelho (Xuxa) - Morto em 2013 numa troca de tiros com o Bope;
Elizeu Felício de Souza (Zeu) - Está preso no Instituto Penal Vicente Piragibe;
Reinaldo Amaral de Jesus (Cadê) - Está em liberdade desde 1º de dezembro de 2017;
Fernando Satyro da Silva, o Frei - Está em liberdade de 22 de março de 2017;
Cláudio Orlando do Nascimento, o Ratinho - Em liberdade desde 17 de dezembro de 2020;
Ângelo Ferreira da Silva, Primo - É considerado foragido por crime de roubo desde 2013.
A investigação
Por três meses, a Delegacia de Repressão à Entorpecentes (DRE), da Polícia Civil do Rio esteve mobilizada para encontrar os criminosos responsáveis pela morte do jornalista Tim Lopes.
Durante o período, não faltaram informações falsas, enviadas à delegacia, como a de que Elias Maluco estava escondido em Crateús, no Ceará, vestido de mulher.
A informação foi considerada falsa porque neste momento a polícia já sabia que o traficante estava escondido no interior do Complexo do Alemão e o telefone que utilizava era monitorado pelos investigadores.
"As pessoas ligavam para ele (Elias) para dar informação de onde estava a polícia. Na véspera da prisão, um dos informantes dele estava numa casa diante de nós. A conversa foi interceptada e nos ajudou a chegar até o Elias", contou o comissário Aurílio Nascimento, um dos policiais da DRE na época.
O policial conta que a equipe da DRE chegou a ficar quatro dias ininterruptos dentro da favela na tentativa de descobrir o paradeiro do traficante.
"Era o que tinha que ser feito. O crime nos surpreendeu muito. Como assim eles tiveram a audácia de atacar um jornalista? Ainda mais de forma tão brutal e enquanto ele fazia o trabalho dele. O sentimento na equipe era que tínhamos que dar uma resposta à sociedade", contou Nascimento.
Elias Maluco foi encontrado morto em 22 de setembro de 2020, em sua cela no presídio federal de Catanduvas, no interior do Paraná. O corpo tinha marcas de enforcamento.
Fonte: g1
























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