Trabalho sob o sol e câncer de pele: como funciona acesso ao protetor solar gratuito no RS
- Start Comunicação

- 10 de fev. de 2025
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Trabalhar ao ar livre sem a devida proteção contra o sol pode resultar em sérios danos à saúde, como queimaduras, envelhecimento precoce da pele e, a longo prazo, um maior risco de câncer de pele. A exposição excessiva aos raios ultravioleta é um desafio enfrentado por muitos trabalhadores no Brasil, especialmente aqueles que atuam sob o sol diariamente.
No Rio Grande do Sul, um programa estadual busca minimizar esses riscos por meio da distribuição gratuita de protetor solar para profissionais expostos ao sol, como agricultores, pescadores e apicultores. Atualmente, cerca de 59 mil trabalhadores recebem o benefício, mas muitas pessoas ainda desconhecem o direito ou não sabem como se cadastrar.
Para ter acesso ao protetor solar, é necessário realizar o registro em uma Farmácia de Medicamentos Especiais, disponível em todos os municípios gaúchos. Segundo Jaciara Muller, secretária-geral da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), os beneficiários podem retirar até três frascos por ano, com um intervalo de quatro meses entre cada retirada.
Exemplo de prevenção

A pescadora Alessandra Oxley, de Pelotas, adota o uso diário de protetor solar antes de iniciar sua jornada de trabalho. Para ela, essa prática não é apenas uma precaução, mas uma necessidade.
“Aqui na colônia, conhecemos muitas pessoas que perderam a vida por causa do câncer de pele. Só quando convivemos com quem passou por isso percebemos a importância da proteção”, relata.
O dermatologista Wagner Bertolini, da Santa Casa de Porto Alegre, destaca que a exposição prolongada ao sol sem proteção adequada eleva consideravelmente o risco de desenvolver câncer de pele.
"Trabalhadores que passam horas sob o sol estão muito mais propensos à doença, especialmente no nosso estado, onde há uma grande população com pele clara devido à ascendência europeia", explica.
Alternativas locais
Além do programa estadual, algumas cidades criaram iniciativas próprias para garantir a distribuição acessível de protetor solar. Em Igrejinha, a prefeitura mantém a única farmácia pública de manipulação do estado, onde o produto é fabricado artesanalmente a um custo reduzido. Dessa forma, a administração municipal consegue distribuir o protetor gratuitamente para trabalhadores expostos ao sol ou pessoas com doenças de pele.
Atualmente, 118 moradores retiram o produto regularmente na farmácia municipal, entre eles Margit Fernanda Franco, agente comunitária de saúde.
"Aplicamos o protetor 30 minutos antes de sair e reaplicamos a cada três horas. Ele faz uma grande diferença no nosso dia a dia", afirma.
O secretário de Saúde de Igrejinha, Vinicio Wallauer, reforça a importância da iniciativa para a proteção dos trabalhadores municipais.
“Muitas pessoas trabalham o dia inteiro sob o sol, como agentes comunitários e funcionários da secretaria de obras. Esse programa garante que eles tenham a proteção necessária”, ressalta.
Onda de calor
O Rio Grande do Sul tem enfrentado temperaturas extremas nos últimos dias devido a uma massa de ar quente vinda da Argentina. A cidade de Quaraí, na Fronteira Oeste, registrou 43,8ºC, a maior temperatura do estado desde o início das medições meteorológicas, em 1910.
O alerta do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que a onda de calor pode durar pelo menos cinco dias, com temperaturas até 5°C acima da média. As regiões mais afetadas incluem o Centro, Oeste, Norte e a área Metropolitana do estado.
Este já é o segundo episódio de calor extremo em 2025, reforçando a necessidade de medidas preventivas para evitar problemas de saúde causados pela exposição prolongada ao sol.
Fonte: g1 RS

































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