Valentões de WhatsApp podem colocar em risco a base política de Heliomar Franco - Por Bado Jacoby

A composição política que sustenta o governo Heliomar Franco em São Leopoldo nunca foi simples. Eleito com uma base inicial de apenas quatro vereadores, o prefeito precisou construir uma maioria na Câmara para garantir governabilidade e condições de executar seu projeto administrativo.
O caminho exigiu pragmatismo. Boa parte dos novos aliados integrou o governo anterior, justamente aquele que Heliomar derrotou nas urnas. O PDT é o exemplo mais evidente. Partido que ocupava a vice-prefeitura na administração passada, tornou-se uma das forças de sustentação do atual governo. Uma composição difícil de explicar para ambos os lados, mas necessária dentro da realidade política.
O prefeito tem demonstrado disposição para administrar essas diferenças. O problema começa quando personagens secundários resolvem assumir um protagonismo que não lhes pertence. Integrantes do próprio governo, por meio de redes sociais e grupos de WhatsApp, promovem ataques e provocações contra aliados que ajudam a garantir sua sustentação política.
Os episódios de “fogo amigo” contra os vereadores do PDT Aurélio da Padaria e Adão Rambor, que normalmente não são afeitos a confrontos, mostram que a situação começa a ultrapassar os limites do razoável. Esse comportamento deveria acender um sinal de alerta no sétimo andar do Paço Municipal.
Está na hora de alguém colocar ordem nessa relação. O governo tem desafios importantes na saúde, educação, infraestrutura e finanças públicas. Não pode desperdiçar energia administrando conflitos provocados por figuras que pouco agregam à gestão e parecem desconhecer a importância das alianças políticas.
O prefeito precisa deixar claro que a condução política da administração não pode ficar refém de vaidades, disputas pessoais e demonstrações desnecessárias de força. Aliança política exige respeito, inteligência e responsabilidade. Não é lugar para valentões de WhatsApp. Quem não compreende isso acaba transformando uma parceria já delicada em um problema ainda maior.
E, quando as vaidades e as manifestações de quem fala mais com o fígado do que com a razão se tornam frequentes nos corredores do poder, quem acaba pagando a conta é o próprio governo.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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