Você é daquela época? - Por Daniela Bitencourt Andara
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Da época em que quando dezembro chegava, de repente, todo mundo lembrava que tinha amigos, primos esquecidos, parentes distantes e um colega da escola que nem sabíamos por onde andava, até colocar o nome dele na lista de CARTÕES DE NATAL!
Ah, os cartões.... Aquela coreografia anual que começava com a compra destes... Tinha modelos com sinos de Natal, com neve (mesmo que estivéssemos em um clima de 35 graus), tinha o de anjinhos rechonchudos, e ele...o “Bom Velhinho”: O Papai Noel!!! Então vinha a dúvida: o que escrever? A caneta azul tremia nem tanto de emoção, mas por medo de errar e ter que escrever tudo novamente. Pensávamos e escrevíamos frases que nem Freud explicaria. Era um tal de "Que o espírito natalino ilumine...." pra cá, "Desejo que o próximo ano seja repleto...." pra lá.
Esse ritual anual era, praticamente, uma Olimpíada! Quem mandava mais cartões ganhava moral social. Quem recebia pouco começava a repensar as próprias escolhas de vida.
Mas havia algo divino naquele exercício: o tempo dedicado. Hoje mandamos “Feliz Natal!!!” com três pontos de exclamação e pronto, missão cumprida. Mas antes não. Eu parava, sentava, respirava, pensava uma mensagem de Natal que fosse gentil e amorosa. Escolhia a caligrafia mais bonita, a mais caprichada para escrever os cartões. E ele, o cartão, era o "magnific" da comunicação. Depois de colocar no envelope dava-se uma lambidinha no selo e.."voilá, confiava no espírito natalino para completar a logística dos correios.
Mas quer saber? Mesmo com toda a modernidade, sinto saudades daquela espera. Das palminhas do carteiro no portão. Do envelope torto e amassado chegando com cheiro de papel guardado. Da simples emoção de saber que alguém pensou em você por mais de cinco segundos.
Então eu pergunto, com um sorrisinho cúmplice:
Você é daquela época?
Eu sou!!!!! E, sinceramente, continuo achando que a vida fica mais bonita quando a gente manda afeto, não importa o formato: cartão, mensagem, áudio, sinal de fumaça....
O importante é lembrar. O importante é se fazer presente.
E dezembro, com toda sua luz piscante e sua cara de adeus, insiste em nos lembrar disso todos os anos.

Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo































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