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A São Leopoldo que ninguém vê - Por Bado Jacoby

Foto: Andressa Brunner
Foto: Andressa Brunner

Há uma São Leopoldo que não aparece nos mapas turísticos, nem nas fotos bonitas das redes sociais. Uma cidade que não recebe aplausos, não inaugura placas, não rende votos. Mas tem tudo a ver com nosso dia a dia. Nesta segunda-feira, 6 de abril, desci até ela.


Não foi metáfora. Foi concreto, úmido, escuro e imenso. Ao lado de técnicos e servidores do Semae, percorri cerca de um quilômetro e meio de galerias subterrâneas, entre a estação da Trensurb da Unisinos e as proximidades da João Corrêa. Um mundo escondido sob os nossos pés.


Galerias de quatro metros de altura, três de largura. Gigantes. Impressionam pelo tamanho, mas preocupam pelo silêncio. Um silêncio que diz muito.


Ali embaixo, longe do olhar da cidade de cima, está uma estrutura que envelheceu sem cuidado. Décadas de atraso, falta de manutenção, ausência de planejamento. Um sistema que deveria proteger, mas hoje revela fragilidades que já cobram seu preço.


Depois das enchentes de maio de 2024, ficou difícil negar: o sistema de drenagem de São Leopoldo caminha perigosamente perto do limite. Talvez já tenha passado dele.


O mais inquietante não é apenas o desgaste. É o desconhecimento.


Não se sabe exatamente por onde passam todas essas galerias. Não há mapas completos. Registros são falhos ou antigos. É como se parte da cidade tivesse sido esquecida e enterrada não só no solo, mas na própria gestão pública ao longo das décadas. E, ainda assim, ela segue ali. Funcionando como pode. Resistindo.


Enquanto isso, acima dela, a vida segue. Carros passam, pessoas caminham, a rotina acontece sem que quase ninguém perceba o que existe abaixo. Uma cidade invisível sustentando a visível.


São Leopoldo vai precisar olhar para baixo. Com urgência. Com coragem. Com investimentos muito grandes. Não é obra que aparece, não é obra que dá retorno político imediato. Mas é obra que evita tragédias.


Talvez o maior desafio não seja apenas reconstruir essa cidade subterrânea. É, antes de tudo, reconhecê-la. Porque não dá mais para fingir que ela não existe. Não há dúvida de que essa cidade “invisível” representa hoje um dos maiores desafios do governo Heliomar Franco.


Bado Jacoby, é repórter e apresentador da Start Comunicação

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