A tal felicidade - Por Daniela Bitencourt Andara
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Muitas vezes acordamos como se tivéssemos um estoque infinito de manhãs guardadas na despensa. Como se pudéssemos deixar para depois o telefonema, a felicitação do aniversário, o abraço, o pedido de desculpas, o recomeço. Como se a vida fosse uma série longa, dessas que nós pausamos e retomamos quando quisermos. Mas não é. A vida é mais como um curta e, pior, sem replay.
No fundo sabemos disso. E se prestarmos atenção está em todo lugar: nas frases prontas, nas perdas que nos atravessa, nos sustos que a rotina dá. E ainda assim, seguimos adiando a felicidade como quem guarda uma roupa nova e bonita para uma ocasião especial que nunca chega.
“Quando eu tiver tempo.”
“Quando tudo se organizar.” "Quando eu tiver dinheiro."
A vida não se organiza para nos fazer felizes. Ela acontece, bagunça, às vezes é dura. E é no meio desse caos que precisamos fazer caber a felicidade. Não inteira, não perfeita, mas possível.
Felicidade, aliás, não é esse espetáculo que vendem por aí. Não é ausência de dor, nem uma sequência de dias bons. É mais discreta.
Mora no café quente tomado sem pressa, no riso que escapa no meio de um dia comum, no abraço do filho, no sorriso, na coragem de dizer “eu me importo”, mesmo com medo de não ser suficiente.
Mas a gente complica. Cria metas inalcançáveis, compara vidas, bastidores com vitrines, espera um sinal verde da vida que nunca vem perfeito como imaginamos. Enquanto isso, os dias passam e passam rápido. Assustadoramente rápido.
Talvez a pergunta não seja “como ser feliz o tempo todo?”, mas “o que eu posso fazer hoje para não desperdiçar este pedaço de vida que me foi dado?”.
Às vezes é mudar de direção. Mudar o pensamento.
Às vezes é insistir mais um pouco mais.
Às vezes é ir embora.
E, muitas vezes, é simplesmente ficar, mas ficar de verdade.
Tem uma coisa que sempre esquecemos e muitas vezes não nos é contado com a seriedade que deveria: Só temos uma vida! Uma!!! Não tem rascunho, não tem versão beta, não tem ensaio geral. É essa. Com as falhas, os tropeços, os atrasos e as surpresas.
Então talvez seja hora de parar de esperar a vida perfeita para começar a viver a vida possível. De parar de pedir permissão para ser feliz. De entender que a felicidade não é um destino, é um jeito de caminhar.
No fim das contas, não se trata de ter uma vida extraordinária para então ser feliz.
É ser feliz no simples, do seu jeito, no seu tempo... Isso faz a vida valer a pena.

Daniela Bitencourt Andara, é Pedagoga e Professora da Rede Municipal de São Leopoldo



























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