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Afastado da Câmara, Rafa Souza pede licença do cargo de presidente do PDT leopoldense


Imagem: reprodução/ Facebook.

Alvo da Operação Consiglieri, o vereador afastado Rafa Souza (PDT) encaminhou à Executiva Estadual do partido o pedido de licença da função de presidente municipal do PDT em São Leopoldo.


Conforme Rafa Souza, o pedido de licença é motivado para cuidar de assuntos pessoais, conforme já foram noticiados pela imprensa.


Em nota, a Executiva do PDT de São Leopoldo reafirmou que "o PDT é um partido limpo, honesto, integro e que fatos isolados de alguns filiados não correspondem ao histórico do PDT, e, após a finalização dos processos judicias as medidas internas serão tomadas". Confira na íntegra:


"A Executiva do PDT de São Leopoldo se reuniu na manhã do dia 23/12, para tratar, exclusivamente, dos fatos ocorridos com o Vereador e Presidente Rafael Souza.


De antemão o PDT Leopoldense repudia qualquer ato de corrupção, improbidade ou imoralidade e não vai compactuar com qualquer ato nesse sentido. O partido segue a linha, a memória e a história de Ary Moura e Olimpio Albercht, que deixaram um legado em São Leopoldo, além da trajetória irretocável de Brizola, nesse sentido, prezamos pela manutenção da imagem politica do PDT, construída ao longo do tempo pelo trabalhismo.


O Presidente Rafael encaminhou na data de hoje o pedido de licença da função de Presidente Municipal para se dedicar a sua defesa. O Partido recebeu o pedido e encaminhou ao Presidente Estadual do PDT.


A Executiva do PDT Leopoldense informa que o partido está dialogando internamente, se reunindo, ouvindo seus membros e buscando o caminho de consenso, a fim de ter a tranquilidade necessária para a reconstrução partidária.


Temos eleições municipais do partido em abril de 2023, então, com o pedido de licença do Presidente Rafael, Geison Freitas assume a Presidência interina do partido, com Juliano Maciel de 1º Vice-Presidente e Fabiano Haubert como 2º Vice- Presidente, os demais cargos permanecem sem alterações.


Reafirmamos que o PDT é um partido limpo, honesto, integro e que fatos isolados de alguns filiados não correspondem ao histórico do PDT, e, após a finalização dos processos judicias as medidas internas serão tomadas".


Operação Consiglieri


Na manhã desta quinta-feira (22), a Polícia Civil cumpriu ordens judiciais de busca e apreensão, bem como a comunicação dos afastamentos das funções públicas de um vereador de São Leopoldo, no Vale dos Sinos, e da companheira dele, que atualmente exerce cargo em entidade paraestatal. As ações foram deflagradas dentro da Operação Consiglieri, a qual segundo as investigações, comprovou a prática reiterada de delitos de concussão contra o erário municipal de São Leopoldo, por associação criminosa estável, cujo líder é o vereador investigado.


As investigações tiveram início depois que denúncias sobre o caso chegaram à Polícia Civil. Conforme o apurado, o vereador exigiria valores de servidores ocupantes de cargos comissionados, sob pena de exoneração e futura perseguição política para quem se recusasse a realizar pagamentos mensais – ato conhecido como "rachadinha”, prática antiga e corrupta, relacionada ao poder de indicação de cargos na Administração Pública. Essa é a primeira legislatura do vereador que, anteriormente, teria exercido cargo de secretário municipal.


Ainda conforme investigações, o vereador e a companheira dele recebiam mensalmente, em dinheiro, ou via transferências PIX, valores extorquidos que variavam de R$600 a R$ 2.500, a depender do cargo exercido pelo servidor em cargo em comissão e cuja indicação política teria sido do investigado. A investigação ainda constatou a evolução patrimonial abrupta do investigado a partir do ingresso dele nos cargos políticos.


Junto do investigado ainda compõe a associação criminosa indivíduos ocupando a Secretaria de Administração da Prefeitura de São Leopoldo, junto ao Serviço Municipal de Água e Esgoto, e o chefe de gabinete do vereador. Durante a investigação, apurou-se também denúncias sobre exigências de valores para liberação de alvarás junto à secretaria da prefeitura, quando, supostamente, o mesmo vereador e um assessor teriam exigido R$ 8.000,00 para liberação de alvará de funcionamento para empreendimentos comerciais.


Durante as investigações, o vereador teria tentado intimidar testemunhas, dizendo-se “poderoso”, com “amigos policiais e Delegados” e que perseguiria politicamente quem colaborasse com a instrução. A Polícia Civil também investigou um indivíduo que há 30 anos exerce cargos comissionados e funções de confiança na Administração Municipal e que é considerado por muitos como o “padrinho” político do vereador.


Diante dos fatos, a Polícia Civil representou por medidas cautelares, sendo expedidas ordens judiciais de afastamento de funções públicas dos investigados, busca e apreensão, bloqueio financeiro dos investigados, no total de R$ 100.000,00; sequestro de imóvel e veículos, tudo adquirido após a exigência dos valores dos cargos em comissão.

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