Banco Central estuda conectar Pix a sistemas de pagamentos internacionais
- Andressa Brunner Michels - Jornalista - MTB 19281/RS

- há 3 horas
- 3 min de leitura

O Banco Central (BC) estuda conectar o Pix a sistemas de pagamentos de outros países e também a mecanismos multilaterais de pagamentos instantâneos. A proposta busca facilitar transações internacionais, reduzir custos e ampliar o acesso da população a esse tipo de operação.
A informação consta no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central. Segundo a instituição, estão em análise tanto conexões diretas entre o sistema brasileiro e plataformas de outros países quanto a participação em estruturas multilaterais.
A expectativa é que essas integrações permitam realizar remessas internacionais e compras no exterior com disponibilização dos valores em moeda local em poucos segundos.
O Banco Central também informou que acompanha iniciativas já desenvolvidas por empresas brasileiras e estrangeiras que utilizam o Pix em operações internacionais.
Além da integração internacional, o BC avalia novas funcionalidades para o sistema de pagamentos instantâneos. Entre elas está a possibilidade de realizar pagamentos por aproximação mesmo sem conexão com a internet.
Outra novidade em análise é a ampliação do Pix Automático, que poderá substituir modalidades tradicionais de débito em conta para pagamentos recorrentes.
O Banco Central também estuda aproximar o Pix do mercado de crédito. A proposta prevê que os chamados “fluxos futuros de Pix” possam ser utilizados como garantia em operações de financiamento.
De acordo com o BC, a medida poderia melhorar a qualidade das garantias oferecidas e contribuir para a redução do custo do crédito, principalmente para empresas que utilizam o Pix com frequência.
BC quer combater uso indevido de mensagens
O relatório também aponta uma preocupação com o uso inadequado do campo de mensagens das transferências Pix.
Segundo o Banco Central, foram identificados casos em que o recurso é utilizado para enviar ofensas, ameaças e intimidações, muitas vezes acompanhadas de transferências de valores muito baixos.
O campo de mensagens foi criado originalmente para permitir o registro de informações relacionadas às transações. Diante do uso indevido, o BC criou um grupo de trabalho para avaliar possíveis mudanças.
A instituição deverá analisar, a partir das conclusões do grupo, a necessidade de estabelecer medidas regulatórias para impedir abusos.
Sistema antifraude terá inteligência artificial
A segurança também está entre as prioridades do Banco Central para o Pix. O relatório prevê oito medidas para aprimorar a identificação e o bloqueio de operações suspeitas.
Uma das propostas é estabelecer critérios mínimos e objetivos para definir quais transações devem ser consideradas suspeitas de fraude. Atualmente, segundo o BC, cada instituição financeira estabelece seus próprios critérios, o que pode gerar diferenças na forma como as operações são analisadas.
Outra medida prevista é a criação de um indicador de probabilidade de fraude no Pix. O índice deverá ser calculado pelo Banco Central em tempo real para as transações e utilizar modelos de aprendizado de máquina, tecnologia associada à inteligência artificial.
A intenção é disponibilizar o indicador às instituições participantes para que elas possam utilizá-lo em seus próprios sistemas antifraude.
O BC também prevê a padronização dos alertas de fraude utilizados pelas instituições financeiras e o aprimoramento da troca de informações para permitir bloqueios cautelares de operações suspeitas.
A proposta é criar um fluxo automatizado de informações entre as instituições, permitindo uma análise mais rápida das transações e aumentando a capacidade de identificar possíveis fraudes.
Também está prevista a ampliação das medidas cautelares que podem ser aplicadas a instituições que apresentem riscos ao funcionamento do sistema, incluindo restrições para o cadastramento de novas chaves Pix.
Pix também está no centro de críticas dos EUA
O Pix passou a ser citado pelo governo dos Estados Unidos entre as questões relacionadas às relações comerciais com o Brasil. O governo norte-americano já classificou o sistema como uma possível prática desleal no mercado financeiro brasileiro, argumento contestado pelo governo brasileiro.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil avaliam que parte da preocupação norte-americana está relacionada ao fato de o Brasil possuir uma infraestrutura própria de pagamentos eletrônicos.
Por não depender diretamente de estruturas controladas pelos Estados Unidos, o sistema brasileiro pode reduzir a influência de mecanismos financeiros externos sobre as transações realizadas no país.
O Banco Central, por sua vez, mantém a expansão e o aprimoramento do Pix entre suas prioridades, com iniciativas voltadas tanto à ampliação das funcionalidades quanto ao aumento da segurança do sistema.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: Correio do Povo
























Comentários