Colapso na drenagem pluvial da região exige união e ação imediata de prefeitos - Por Bado Jacoby
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A segunda enchente em menos de um mês em São Leopoldo não pode mais ser tratada como um evento isolado ou fruto exclusivo de um episódio climático extremo. O que se viu na tarde desta terça-feira, 17 de março, quando cerca de meia hora de chuva intensa foi suficiente para provocar alagamentos fora de qualquer padrão de normalidade, escancara um problema estrutural grave: o colapso do sistema pluvial de São Leopoldo e região.
Não se trata mais de discutir medidas paliativas. A limpeza de bueiros, bocas de lobo e ações emergenciais continuam sendo necessárias, mas já não dão conta da dimensão do problema. A realidade é dura: a infraestrutura de drenagem urbana em São Leopoldo e em diversas cidades da região metropolitana não responde mais às demandas atuais.
O que está em jogo vai além de transtornos momentâneos. A recorrência de alagamentos em curto espaço de tempo coloca em xeque a própria viabilidade de viver nessas cidades. E isso não é exagero. Quando volumes de chuva relativamente comuns passam a gerar cenários caóticos, fica evidente que há uma falha sistêmica.
As enchentes de 2024 já haviam deixado um legado negativo profundo. Ainda assim, pouco avançou em termos de soluções estruturais. Agora, o cenário exige algo muito maior que passa, por um planejamento técnico robusto, investimentos bilionários e, sobretudo, articulação política real.
Nenhum município ou prefeito, conseguirá enfrentar esse desafio sozinho. A solução passa, necessariamente, por uma mobilização regional envolvendo prefeitos, governos estaduais e federais, além de especialistas e instituições técnicas. É preciso pensar em curto, médio e longo prazo, com projetos integrados que levem em conta toda a bacia hidrográfica e o crescimento urbano desordenado.
Outro ponto fundamental é evitar a politização vazia do problema. Transformar a crise em disputa ideológica apenas amplia os danos e retarda soluções. Este é o momento de unir forças, buscar conhecimento, inclusive fora do país se necessário, e tratar a questão com a seriedade que ela exige.
O colapso do sistema pluvial não é mais uma previsão, é uma realidade. E ignorá-lo, ou tratá-lo com soluções superficiais, significa aceitar que episódios como o desta semana se tornem rotina. A conta, nesse caso, será paga pela população, e pode ser alta demais.
Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação



