Como Jair Bolsonaro e seus filhos teriam sido beneficiados pela Abin Paralela
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- 19 de jun.
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BRASÍLIA: a retirada do sigilo do inquérito da investigação sobre a “Abin Paralela” pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, nessa quarta-feira (18/6), revelou detalhes sobre o suposto uso clandestino da estrutura pública para a proteção de filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A derrubada do sigilo foi argumentada por Moraes como algo necessário para evitar a circulação de informações inadequadas sobre as apurações, uma vez que houve vazamentos pontuais.
A “Abin Paralela” é descrita na investigação como uma organização que teria feito uso da estrutura institucional da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para proteção de aliados e perseguição a opositores da família Bolsonaro. O serviço de espionagem clandestina foi realizado por meio do software de inteligência israelense First Mile, adquirido ainda durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
As apurações da Polícia Federal (PF) revelam exemplos de supostas ações da “Abin Paralela” em favor de Jair Renan, Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, três dos filhos do ex-presidente. As medidas apontadas pelos investigadores incluem ações para atrapalhar o trabalho da PF sobre a perseguição de servidores da Receita Federal. O inquérito resultou no indiciamento de 34 pessoas.
O que a PF diz sobre a “Abin Paralela”
A “Abin Paralela” teria sido uma organização estruturada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro para proteção de aliados e perseguição de adversários e opositores.
Um grupo de policiais e militares cedidos para a estrutura institucional da Abin atendiam a ordens específicas para atingir os objetivos do clã.
Um dos principais meios de atuação foi o uso da ferramenta First Mile, desenvolvida em Israel.
O First Mile tinha, entre outras funções, a possibilidade de monitorar deslocamentes e encontros dos espionados.
Embora o ex-presidente Bolsonaro não seja um dos indiciados, ele é apontado na investigação como “principal destinatário” de “ações clandestinas” e da “instrumentalização” da “Abin Paralela”.
“Os eventos destacados ao longo da investigação ainda demonstram que as ações eram realizadas para obtenção de vantagens precipuamente do núcleo político. As ações clandestinas, portanto, tinham seus produtos delituosos destinados ao interesse deste núcleo com ataques direcionados a adversários e ao sistema eleitoral, dentre outros”, destaca a corporação.
Carlos Bolsonaro
O vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), um dos 34 indiciados pela PF, aparece com destaque no inquérito. Ele é apontado como destino principal e “beneficiário direto” das informações coletadas de forma ilegal. Essas informações, conforme o relatório, incluíam dados sobre investigações em curso que pudessem atingir o núcleo político ou familiar. “Tanto que sua assessora Luciana de Almeida solicitou para Ramagem ajuda em inquéritos ‘Envolvendo PR e 3 filhos'”, afirma a investigação.
Ao vereador do Rio, também é creditada a idealização da estrutura clandestina que seria formada por um delegado e três agentes. Carlos, segundo a PF, é uma das figuras centrais da suposta organização criminosa. Ele seria o articulador da desiniformação contra o sistema eleitoral, uma das bandeiras de Jair Bolsonaro, que afirmava, sem provas, ser possível fraudar a apuração de votos no Brasil.
FONTE: Portal Metrópoles
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