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Duas semanas depois, corpo de mulher decapitada encontrado em São Leopoldo segue sem identificação


Imagem: divulgação/ PC.

Segue sem identificação o corpo de uma mulher encontrado no dia 8 em um matagal próximo à Estrada Presidente Lucena, no bairro Scharlau. O cadáver foi localizado coberto por cal, sem a cabeça e sem uma das mãos. A polícia aguarda laudos da perícia para avançar com a investigação, mas tem um homicídio como principal hipótese para o ocorrido, a partir das apurações iniciais.

O trabalho para identificar a vítima envolve a comparação com perfis diversos de outras mulheres consideradas desaparecidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção de Pessoas (DPHPP) da cidade.

"Estamos comparando as informações que temos e já chegamos a uma hipótese de possível identificação. Porém, para confirmar essa identidade, precisamos da conclusão dos estudos genéticos que o Instituto-Geral de Perícias (IGP) faz", detalha o delegado André Serrão, responsável pela investigação.


O IGP colheu amostra de DNA do corpo e vai comparar com amostra de um familiar de uma mulher desaparecida, que teve material genético para a testagem coletado no dia 10. O resultado deve levar pelo menos mais uma semana para ser conhecido.


O fato de terem espalhado cal — substância de grãos finos como areia que mistura cálcio e minúsculas quantias de metais — sobre o corpo e em volta dele é outro ponto misterioso até mesmo para a química forense. Há mais de uma interpretação sobre o efeito do material, utilizado normalmente na construção civil, em relação à decomposição de um cadáver, mas entre as hipóteses estão a aceleração da putrefação e a contenção do odor.


O IGP não estipula prazo para entrega do relatório completo sobre o caso. No laudo sendo elaborado neste momento, além da identificação da vítima, será possível constatar eventuais violências que ela tenha sofrido antes de morrer.


Estado dificulta identificação


Um corpo encontrado sem mão, sem cabeça, e em avançado estado de decomposição dificulta o trabalho de identificação pela perícia. Isso porque as análises mais rápidas e utilizadas comumente pelos peritos são a de impressão digital e a da arcada dentária. Ambas são impossíveis neste corpo, que chegou ao IGP sem a cabeça e com a pele dos dedos degradada.


Mesmo com a coleta de um fio de cabelo ou de algumas gotas de saliva ou sangue com o código genético preservado nas células da vítima, ainda são necessárias amostras de outras pessoas para comparar e, se houver sucesso, encontrar um indivíduo com código genético correspondente. O banco de material genético que o IGP administra pode ajudar, mas apenas se já existe alguma amostra do DNA da pessoa depositada neste arquivo.


As dificuldades para o IGP e o fato de não haver testemunhas do fato, nem câmeras nas proximidades de onde o corpo foi encontrado, podem fazer com que a vítima leve ainda pelo menos uma semana para ter a identificação confirmada. Só a partir de então a DPHPP de São Leopoldo vai poder avançar na busca por motivação e autoria do que, até aqui, é tratado como um provável assassinato.


O fato de ser um corpo feminino encontrado em São Leopoldo pode remeter a um caso de desaparecimento com repercussão no Estado em 2022, o da advogada Alessandra Dellatorre, 29 anos, que tem seu paradeiro desconhecido desde julho. Porém, o delegado Serrão e a investigação não acreditam que o corpo encontrado no dia 8 seja dela. "muito remota a chance", resume.


Fonte: GZH

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