Flávio Bolsonaro impõe condições para abrir sigilos e faz exigências a Lula

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, apresentou nesta quarta-feira (21) uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em resposta à proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico dos dois candidatos. Flávio afirmou aceitar a divulgação de seus dados dos últimos 20 anos, mas condicionou a medida ao cumprimento de uma série de exigências por parte do adversário.
O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça. Além dos próprios dados, o senador propõe incluir informações de familiares citados na petição e de empresas relacionadas a ele.
Na segunda-feira (19), Lula havia apresentado ao TSE uma declaração autorizando a abertura de seus sigilos e dos familiares mencionados, referente aos últimos oito anos, desde que Flávio também adotasse a mesma iniciativa.
A defesa do senador classificou a proposta inicial do presidente como insuficiente e argumentou que a transparência deveria abranger também pessoas próximas, empresas e outros registros que, segundo os advogados, poderiam contribuir para esclarecer eventuais irregularidades. As alegações fazem parte da petição apresentada pela campanha de Flávio.
Quais são as condições apresentadas por Flávio
Entre as exigências incluídas no documento estão a apresentação de autorizações para a quebra de sigilo de assessores próximos a Lula e a divulgação de informações financeiras de empresas ligadas a familiares do presidente, incluindo negócios relacionados a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A petição também solicita informações sobre o Instituto Lula e a empresa L.I.L.S. Palestras, além de registros de negócios no exterior e de outras empresas vinculadas a familiares do presidente, considerando o período indicado no documento.
Outro ponto envolve o chamado caso Master. Flávio pede a divulgação de registros de visitantes do Palácio do Planalto e de informações sobre uma reunião entre Lula e Daniel Vorcaro, realizada em dezembro de 2024.
Na área previdenciária, o senador solicita esclarecimentos sobre relações do governo com a lobista Roberta Luchsinger, registros de acessos a palácios presidenciais e deslocamentos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Também inclui o pedido de quebra de sigilo do sindicalista Frei Chico, irmão de Lula.
A lista contempla ainda os gastos do cartão corporativo da Presidência da República desde janeiro de 2023 e agendas institucionais da primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja.
Flávio pede que o TSE intime Lula a informar se aceita as condições apresentadas. Caso o presidente não concorde, a defesa solicita que a recusa seja registrada no processo.
Senador nega vínculo societário com empresa investigada
Na mesma petição, Flávio Bolsonaro afirma não ser sócio, administrador ou beneficiário da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador. Por esse motivo, alega não possuir os dados bancários e fiscais da companhia.
O nome de Flávio foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa. A informação é mencionada no contexto de investigações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo a companhia e pessoas relacionadas.
O senador é alvo de dois inquéritos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles investiga sua relação com Willer Tomaz em apuração sobre suspeita de lavagem de dinheiro. O outro trata do financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, e de negociações envolvendo recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master.
A defesa de Flávio nega irregularidades e afirma que o senador não está envolvido em ilícitos. Também critica a divulgação de informações sigilosas durante o período eleitoral.
Até o momento descrito nas informações divulgadas, a petição de Flávio apresenta condições para a abertura dos dados, mas não representa, por si só, uma determinação judicial de quebra dos sigilos dos envolvidos.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: G1

























Comentários