Gabriel Dias mantém espaço na política leopoldense, mas eleição deixa lições - Por Bado Jacoby

A avaliação dos resultados da eleição de 2026 ainda tem muito a revelar sobre os personagens políticos de São Leopoldo. Entre eles está Gabriel Dias, que construiu, nos últimos seis ou sete anos, uma trajetória de destaque na política local. Como vereador, tornou-se a principal voz de oposição ao governo de Ary Vanazzi (PT), com uma atuação crítica e contundente, mas sem ultrapassar os limites do debate democrático.
O protagonismo conquistado naquele período chegou a alimentar sua candidatura à Prefeitura em 2024. No entanto, diante da polarização que se desenhava, Gabriel recuou e apoiou Heliomar Franco, que acabou vencendo a eleição. Como contrapartida política, assumiu a direção do Semae, mas a relação com o núcleo central do governo se desgastou em poucos meses, levando à sua saída.
Gabriel seguiu com o projeto de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos. O problema é que chegou à campanha sem mandato eletivo e fora da estrutura da administração municipal. Para quem pretendia ampliar sua presença política, a falta de um espaço institucional e de uma base consolidada, se tornou um obstáculo importante.
Mas talvez seu maior erro estratégico tenha sido apostar demais em alianças que não se confirmaram na prática. A aproximação com a vice-prefeita Regina Caetano, que também ingressou no Podemos, criou a expectativa de uma dobradinha capaz de fortalecer os dois projetos eleitorais. O cenário, porém, era mais complexo. Regina já vinha acumulando conflitos políticos e até pessoais com a cúpula da administração municipal, tornando-se uma das principais críticas de um governo do qual ela própria fazia parte. Nesse contexto de distanciamento, ampliou suas articulações e passou a demonstrar proximidade política com Marcelo Pitol, também candidato a deputado estadual. Embora não tenha sido formalizada uma parceria eleitoral entre os dois, os movimentos observados durante a campanha acabaram enfraquecendo a expectativa de aliança construída entre Regina e Gabriel Dias.
Embora não tenha sido formalizada uma parceria eleitoral entre Regina e Pitol, os movimentos observados durante a campanha indicaram uma aproximação que enfraqueceu a expectativa construída em torno de Gabriel. Pitol, por sua vez, chegava à disputa em ascensão, impulsionado por suas posições críticas ao próprio governo municipal.
O resultado foi uma candidatura de Gabriel com menos protagonismo do que esperava. Ele terminou a eleição como suplente, com 6.438 votos no Estado e 4.873 em São Leopoldo. Os números mostram que ainda possui uma base eleitoral, mas também deixam claro que o capital político construído como vereador não se transfere automaticamente para uma disputa estadual.
Gabriel foi, em parte, vítima das circunstâncias, mas também de suas próprias escolhas. Apostou em alianças que não entregaram o resultado esperado e entrou na eleição sem a posição de destaque que já havia ocupado na política leopoldense. Na linguagem política, as parcerias que prometiam grandes dividendos eleitorais para sua candidatura acabaram se transformando em uma espécie de aliança fura-olho.
Isso não significa, contudo, que sua trajetória tenha chegado ao fim. Gabriel continua sendo uma referência política local e reúne condições para reconstruir seu espaço, ampliar relações e voltar a crescer, inclusive regionalmente. Para isso, precisará aprender com os erros, fortalecer sua autonomia e compreender que alianças políticas não se sustentam apenas nas expectativas, mas na convergência real de interesses e projetos.
A eleição de 2026 não encerra o caminho de Gabriel Dias. Mas deixa uma lição importante, mostrou claraamente que o protagonismo conquistado exige estratégia para ser mantido. E, na política, confiar demais em parceiros de ocasião, pode custar caro quando chega a hora de contar os votos.
Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

























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