MP denuncia trio por tortura e execução de adolescentes suspeitos de furto em Sapucaia do Sul

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou, nesta segunda-feira (31), os três homens investigados após o desaparecimento e morte de Jonathan Xavier Lopes, de 16 anos, e Wesley Amaral, de 19, em Sapucaia do Sul. O crime ocorreu em março e teria sido uma represália pela suspeita de furto de baterias em um depósito do Detran.
Os denunciados são Leopoldo Potter (dono do depósito credenciado ao Detran), Rudimar Rosa (dono do guincho) e Tiago Moré Martins (segurança do local). Rudimar e Tiago estão presos. Leopoldo é considerado foragido.
A defesa de Tiago afirma que ele "não praticou nenhum homicídio e todas as providências jurídicas necessárias para a defesa dele estão sendo tomadas". O advogado Felipe Moreira da Silva Teixeira da Paixão afirma ainda que, "embora tenha sido requerido ao judiciário, a defesa ainda não teve acesso a todas as informações do caso".
O g1 entrou em contato também com as defesas de Leopoldo e Rudimar e até a última atualização desta reportagem não havia obtido retorno.
Eles foram denunciados por duplo homicídio qualificado e dupla ocultação de cadáver. O processo corre em segredo de Justiça.
A reportagem entrou em contato com o Tribunal de Justiça do RS, para saber se a denúncia já foi recebida, mas não obteve retorno.
Relembre o caso
Os corpos de Jonathan Xavier Lopes e Wesley Amaral foram encontrados pela polícia no dia 31 de março dentro de um depósito de carros da cidade. Eles eram procurados desde a madrugada. A suspeita é de que eles tenham sido mortos pelos denunciados devido a um suposto furto de baterias do local.
Os dois teriam dito a amigos que iriam furtar baterias de carros em um depósito, o que fez familiares saírem para procurá-los na região.
Pela demora, os parentes acharam que os dois tinham sido presos, mas eles já estavam mortos. Edilaine Xavier, mãe de Jonathan, ficou sabendo da notícia, horas depois, pela internet.
"Os dois meninos sumidos. Nisso, aparecem dois corpos de dois meninos não identificados. Já deu aquele baque no coração, porque a gente já sabia que era eles. Só que daí a gente pensa: por que tanta crueldade?", questiona a mãe de Jonathan.
Os corpos das vítimas estavam a 4 km do local onde eles foram vistos pela última vez.
"O Wesley apareceu com o ombro todo quebrado, o braço, os dedos dele quebrados, todo machucado. O outro menino, com a cara deformada. Não tem motivo pra tanta crueldade. Isso quem faz, é sem coração. Pessoas frias, homens frios, de sangue frio", lamenta a tia de Wesley, Marivane Carvalho.
Duas pessoas procuraram a polícia admitindo que estavam com Jonathan e Wesley no momento do furto. Eles dizem que os dois se renderam para um segurança do local, que tinha dado tiros de alerta para cima.
"Se entregaram. O guardinha mandou eles deitarem no chão. Primeiro, ele deu quatro tiros pro alto. Ele falou: 'perderam, perderam, deita no chão'. Daí nós saímos correndo pro mato. Ficamos escutando. Os guris quietos, deitaram no chão. Se renderam", diz um deles.
Fonte: g1

























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