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Ninguém é mais fã do Phil Collins do que eu - Por Magali Schmitt

Sou fã incondicional de Phil Collins desde que comecei a andar sozinha, desde que me reconheço como ser pensante. Sou a maior fã dele no planeta, sim senhor. Não adianta apresentar argumentos. Sou eu e ponto final.


O mais curioso é que ele nunca foi meu crush de adolescência — esse posto pertence ao Kevin Costner.


E digo mais: sou a maior fã e posso provar. Para começar, não sei o dia do aniversário dele, signo, com quem foi ou deixou de ser casado. Essas informações que não levam a lugar nenhum e que os stalkers adoram.


Para mim, ser fã é outra coisa. É reconhecer aquela voz na multidão. Uma voz que diz tudo, que poderia cantar minha canção de ninar, rasgar a noite escura comigo e me fazer dançar nas sombras sem medo.


A aparência dele não me importa. O que importa é para onde me transporto quando ouço suas músicas. Onde meu pensamento ancora quando começa In the Air Tonight. Saber o dia do aniversário dele não faz diferença. Acho até que já soube um dia. Mas a memória é caprichosa e nos tira certas coisas — talvez justamente quando deixam de ser importantes.


Aqui onde estou agora esse detalhe dramático já não me toca. Deve ser a tal maturidade. Gosto de brincar que é o efeito Dercy Gonçalves — o momento em que a opinião dos outros simplesmente deixa de produzir efeito.


Na última vez que ele veio a Porto Alegre fui ao show. E qual não foi minha surpresa ao vê-lo de cadeira de rodas. Foi um choque. Meu ídolo, um dos maiores bateristas da história, a voz que embalou a minha própria história é, afinal, um ser de carne e osso.


Mas basta fechar os olhos que tudo se reconstrói. Estou outra vez em 1985, 2001 ou agora — numa memória viva que nunca termina.


Os caminhos por onde nossas escolhas nos levam são loucos.


Nos dias seguintes ao show fiquei com aquela imagem na cabeça. Uma contradição, porque afinal não seriam os ídolos imortais?


Doeu em mim.


A finitude dele lembra a minha própria. Essa pessoa que está lá do outro lado do mundo, fala outro idioma, nem sonha quem eu sou e ainda assim teve o poder de mudar meus dias frios. Cantou para eu dormir nas noites de desamparo e segurou minha mão quando a travessia era pesada.


E hoje volta a fazer tudo isso quando surge numa playlist do Spotify, aparece no rádio ou simplesmente invade meu pensamento.


Como vai ser sem ele, caso vá antes de mim?


O mundo vai parecer muito mais vazio, tenho certeza.


Entendem agora por que ninguém mais pode ser o maior fã de Phil Collins?












Magali Schmitt, é escritora e jornalista.

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