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Número de armas retiradas de facções criminosas pelo Denarc no RS cresce 42%


Imagem: divulgação/ Polícia Civil.

Foram os últimos apelos que Sara Campos, aos 23 anos, fez à irmã Manoela Yres Campos Trapps, de 17. Manu foi uma das vítimas do ataque a um bar, no bairro Campo Novo, na Zona Sul de Porto Alegre, em setembro passado. Cerca de 80 moradores se divertiam no pagode, quando criminosos armados surgiram desferindo dezenas de disparos. Ao saber do tiroteio, a irmã que estava em casa correu para o local e encontrou a caçula baleada. Além da adolescente, outras duas pessoas foram assassinadas, e pelo menos 27 ficaram feridas, entre elas uma menina de quatro anos, que perdeu a mãe no atentado.


A investigação na época apontou que os bandidos estavam armados com pistolas e uma espingarda de calibre 12. Havia ainda um criminoso fazendo a segurança dos atiradores, que ostentava uma arma longa, que a polícia acredita se tratar de um fuzil. É esse tipo de armamento, com alto poder de fogo, que está na mira do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) do RS.


Neste primeiro semestre, o órgão especializado no combate ao tráfico de drogas retirou 240 armas das mãos dos grupos criminosos – o acréscimo é de 42% no comparativo com o mesmo período de 2022.


"Essas disputas por pontos de tráfico acabam refletindo nas comunidades, na população, toda essa violência e também nos índices de homicídio. São dezenas ou centenas de vidas que estamos poupando com essas apreensões", ressalta o diretor do Denarc, delegado Carlos Wendt.


Um dos pontos que chama a atenção é o tipo de armamento localizado: das 240, 13 eram fuzis, principalmente os 556 e 762. Eram desses calibres os dois que foram apreendidos em junho dentro de um caminhão de mudança em Ijuí, no noroeste do Estado. O fuzil 762 é capaz, inclusive, de perfurar até alguns tipos de blindagens. Havia ainda 17 pistolas, que seriam distribuídas para uma facção criminosa.


"Uma munição comum geralmente bate numa parede e para, mas a de fuzil pode atravessar diversos obstáculos e acabar atingindo alguém que não tem nada a ver com essa disputa. Estamos diante de um armamento extremamente perigoso. E, por isso, comemoramos muito quando fazemos a apreensão desse tipo de armamento, porque certamente estamos evitando alguma tragédia", afirma o diretor.


Fornecedores


Um dos fatores que levou à elevação do número de armas apreendidas é o foco nos fornecedores e responsáveis pelo armazenamento. O aumento ocorre em paralelo – e de forma conjunta – com o acréscimo na apreensão de drogas pelo Denarc. Nos primeiros cem dias deste ano, houve elevação nas remessas apreendidas de cocaína, crack, maconha e ecstasy.


"Quando estamos investigando lideranças do tráfico, temos tentado buscar também esse armamento que é fornecido para eles. Geralmente, pegávamos essas armas em pontos de tráfico, mas nesse semestre temos conseguido pegar depósitos de armas, com indivíduos que guardam esses arsenais para as facções. São fornecedores, que trazem armas para a Capital", explica o diretor do Denarc.


Uma das ações aconteceu na fronteira com o Uruguai, onde a polícia gaúcha atuou com a do país vizinho. Na periferia de Rivera, prenderam um foragido por homicídio, que costumava ostentar fotos com drogas e armas. Na casa, os policiais encontraram maconha, cocaína, crack, e quatro armas de fogo. No lado brasileiro, a polícia também prendeu outro homem com mais duas armas. A suspeita é de que eles estivessem trazendo armas do Uruguai para o Brasil.


Outras apreensões foram realizadas em locais utilizados como depósitos, caso de um sítio em Glorinha no fim de junho. Um dos presos estava, inclusive, entre os apontados como executor de uma facção e também vinha sendo investigado por envolvimento na guerra do tráfico que deixou mais de 20 mortos na Grande Porto Alegre no ano passado.


Em outro sítio, em Gravataí, foram apreendidas mais 26 armas em maio. A operação de buscas foi realizada com a Brigada Militar. Nessas propriedades, os criminosos costumam enterrar os armamentos, para dificultar a localização.


Explosivos


Além das pistolas – que representam maioria das armas apreendidas – e dos fuzis, outro tipo de artefato de guerra foi localizado neste primeiro semestre pelo Denarc: oito granadas. Neste caso, segundo a polícia, muitas vezes a origem do explosivo é artesanal. Os criminosos montam os apetrechos, o que os torna ainda mais perigosos porque são fabricados por pessoas que não têm o conhecimento técnico.


"Nos chama a atenção a quantidade de granadas apreendidas, mas principalmente pela consequência que esses objetos podem gerar na rua. Não tem como usar um artefato desses e garantir que vai atingir só o alvo. Com o uso de uma granada ou um fuzil o risco de atingir uma pessoa que não está envolvida no fato aumenta significativamente. É uma arma extremamente perigosa. O próprio manuseio dela pode gerar um acidente e causar estragos de proporções enormes. Não só a utilização dela contra adversários e facções contrárias", afirma o diretor do Denarc.


As munições tiveram redução de 4% nas apreensões, com 7.241 no primeiro semestre de 2022 e 6.947 neste ano.


O caso do Campo Novo


Em outubro do ano passado, cinco investigados foram indiciados pela 4ª Delegacia de Homicídios de Porto Alegre pelo ataque no Campo Novo. Dois suspeitos, que seriam líderes da facção com berço no Vale do Sinos, já estavam presos na época do crime e foram apontados como mandantes.


Outros três, que seriam os executores, também foram presos após o crime, numa operação no condomínio Princesa Isabel, em Porto Alegre, e em ação conjunta da Polícia Civil gaúcha com a Polícia Rodoviária Federal, no Rio de Janeiro. Mais tarde, eles foram denunciados pelos três homicídios e 22 tentativas de homicídio. O processo segue em andamento.


Fonte: GZH

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