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O idioma secreto das mães - Por Magali Schmitt

Se tem um tipo de resposta que somente uma mãe pode dar com propriedade é o ‘porque não’. Quantas vezes você já sofreu e se irritou por essa negativa que carrega um vazio de razão, de explicação, que soa quase como um descaso? Falo com propriedade, porque sou mãe e filha e vivenciei os dois lados dessa experiência. Hoje entendo que, no hiato entre a pergunta e a resposta, uma avalanche de pensamentos eclode no cérebro da gente.


Quando uma mãe diz ‘porque não’, ela já enxergou mentalmente ruas perigosas, rostos desconhecidos, possibilidades invisíveis e cenários que talvez nunca aconteçam — justamente porque ela tentou evitá-los.


O ‘porque não’ vem de um medo ancestral que toda mãe tem de soltar a sua cria antes do tempo para um mundo de pouca empatia com o filho dos outros. Carrega dúvidas embutias como: não conheço essa família, não sei quem vai estar lá, não quero que você volte sozinho, tenho receio daquele caminho. E se acontecer alguma coisa? E se alguém machucar você de uma forma irremediável enquanto estiver longe de mim?


O instinto materno raramente opera na lógica das coisas racionais e palpáveis. Ele trabalha no território da sensação, da percepção, do desconforto inexplicável que

chega antes de tudo. Porque toda mãe tem um radar primitivo, herdado de mulheres que passaram séculos tentando manter seus filhos vivos numa realidade hostil.


Explicar esse medo — que parece bobo, mas que grita dentro de nós —, a uma criança ou adolescente não é simples. Não dá para pegá-la pelo braço e dizer “senta aqui, vou falar algumas coisas duras que acontecem lá fora”. É mais fácil sintetizar em um singelo ‘porque não’ que cabe dentro daquela maturidade.


Não é a melhor resposta, concordo. Não satisfaz. Mas é uma forma de amor, um jeito enviesado de dizer “eu preciso que você fique bem”, mesmo quando parece apenas uma birra. Porque a maternidade deixa vínculos eternos no corpo e na alma. Um fio invisível que nunca se rompe por inteiro, esteja você onde estiver e com a idade que estiver.


E nunca esqueça: toda vez que a sua mãe respondeu ‘porque não’, ela estava tentando proteger o seu bem mais precioso. Porque as mães farejam o perigo quando ninguém sequer percebeu. Elas leem seus olhos e a sua respiração como ninguém jamais fará. E se você ainda tem a sua mãe perto, acredite: cada lembrança dela, por menor que seja, um dia fará uma falta tão imensa que não será possível colocar em palavras.










Magali Schmitt, é escritora e jornalista.

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