PF aponta que ex-presidente do INSS recebia R$ 250 mil por mês em propina por esquema de descontos indevidos
- Andressa Brunner Michels - Jornalista - MTB 19281/RS

- 14 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

A Polícia Federal (PF) identificou que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) Alessandro Stefanutto recebia R$ 250 mil mensais em propina dentro do esquema de descontos não autorizados aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas. A informação consta no relatório que embasou a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (13).
Stefanutto foi preso por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.
Segundo a PF, o ex-presidente exercia forte influência na Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) e recebia propina por meio de empresas de fachada — incluindo uma pizzaria, uma imobiliária e um escritório de advocacia. Ele era citado nas investigações pelo codinome “Italiano”.
A apuração aponta que a maior parte dos repasses ocorreu entre junho de 2023 e setembro de 2024, período em que Stefanutto já estava à frente do INSS.
Os investigadores apontam que Stefanutto teve papel decisivo no esquema, atuando como facilitador, inclusive antes de assumir a presidência da autarquia — ele já havia sido procurador do INSS.
A PF destaca que o ex-presidente atuou em duas frentes:
Viabilizando juridicamente, em 2017, a celebração do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) que deu origem ao mecanismo utilizado no esquema;
Protegendo a estrutura fraudulenta enquanto presidia o INSS, o que elevou o valor das propinas.
O relatório ainda reforça que os pagamentos ilegais eram essenciais para manter o esquema, que envolvia mais de 600 mil vítimas e gerava milhares de reclamações judiciais e administrativas.
A defesa de Alessandro Stefanutto afirmou, em nota, que ainda não teve acesso à decisão judicial que levou à prisão e classificou a medida como ilegal.
A Conafer, também alvo da operação, declarou estar à disposição das autoridades e defendeu a presunção de inocência dos investigados.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: Correio do Povo































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