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Polícia consulta Interpol para investigar histórico de pai suspeito de matar filho em Viamão


Foto: Guilherme Sperafico / Especial / CP
Foto: Guilherme Sperafico / Especial / CP

Prestes a completar uma semana, a investigação sobre a morte do menino de 3 anos espancado pelo próprio pai, em Viamão, entrou em uma nova fase. A Polícia Civil busca reconstruir o histórico da família antes da chegada ao Rio Grande do Sul e aguarda informações da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) sobre o passado do suspeito, um norte-americano de 33 anos.

Segundo os investigadores, o objetivo da consulta é verificar se o homem possui antecedentes criminais nos Estados Unidos ou em outros países por onde possa ter passado antes de se estabelecer no Brasil, em 2017. Até o momento, não há confirmação de registros criminais em seu país de origem.


Além da apuração internacional, a Polícia Civil aguarda documentos de órgãos de proteção à infância de São Paulo e Santa Catarina, estados onde a família viveu antes de se mudar para Viamão. Nesses locais, já havia registros de suspeitas de maus-tratos contra as crianças. Em Santa Catarina, o Conselho Tutelar chegou a acompanhar a situação após denúncias feitas por vizinhos.


A delegada Luana Medeiros, responsável pela investigação, informou que o inquérito está concentrado na análise de documentos, oitivas de testemunhas e produção de provas.

"O inquérito policial agora segue para uma fase de análise dos documentos recebidos em resposta aos ofícios encaminhados, oitivas de testemunhas, conselheiros tutelares, profissionais médicos, recebimento das perícias e demais diligências policiais cabíveis", afirmou.


Parte da documentação depende de autorização judicial para compartilhamento entre os órgãos envolvidos, enquanto outros documentos já foram solicitados diretamente às instituições competentes. Até o momento, a Polícia Civil ainda não recebeu as respostas da Interpol nem os demais relatórios requisitados.


Mudanças constantes

A investigação também pretende confrontar as informações obtidas nos estados por onde a família passou. Uma das hipóteses levantadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul é que o casal mudava frequentemente de cidade à medida que surgiam questionamentos sobre a situação das crianças.

Essa possibilidade também foi mencionada pelos advogados da mãe do menino, que afirmam que as mudanças faziam parte do contexto vivido pela família.


Histórico da família

O casal vivia no Brasil havia cerca de nove anos. O homem, nascido nos Estados Unidos, ainda tem diversos aspectos de sua trajetória sendo investigados.

Já a mulher, de 29 anos, nasceu no Japão, é filha de um norte-americano e cresceu no interior dos Estados Unidos. Segundo a defesa, ela conheceu o companheiro na instituição religiosa administrada por seu pai e foi convencida a acompanhá-lo em uma missão religiosa para o Brasil.

Antes de se estabelecerem em Viamão, em agosto do ano passado, a família passou por municípios dos estados de São Paulo e Santa Catarina. De acordo com a investigação, eles viviam em uma propriedade rural em condições precárias.


Além do menino que morreu, o casal tem outros quatro filhos, atualmente acolhidos por determinação do Conselho Tutelar. Os depoimentos das crianças deverão integrar a investigação para esclarecer a dinâmica familiar e verificar o grau de participação da mãe nas agressões.

A defesa sustenta que ela também era vítima de violência doméstica e vivia isolada, sem acesso à rede de proteção, circunstância que, segundo os advogados, será considerada na análise de sua responsabilidade criminal. A defesa ainda solicitou a abertura de um inquérito específico para apurar as agressões que ela afirma ter sofrido ao longo do relacionamento.


Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: Correio do Povo

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