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Polícia instaura inquérito para apurar falas preconceituosas de vereador de Caxias sobre baianos

2 de mar. de 2023
2 min de leitura

Imagem: Bianca Prezzi/ Câmara de Vereadores de Caxias do Sul.

A Polícia Civil de Caxias do Sul instaurou inquérito para apurar as falas do vereador Sandro Fantinel (Patriotas) ao mencionar o caso dos trabalhadores baianos resgatados em Bento Gonçalves em situação similar à escravidão. O delegado Rafael Keller, que responde pela 1ª Delegacia de Polícia (DP), encaminhou, nesta quarta-feira (1º), um ofício ao presidente da Câmara de Vereadores, Zé Dambrós, para solicitar as imagens do discuso e o conteúdo do pronunciamento feito pelo vereador na sessão da Câmara de Vereadores nesta terça-feira (28). Os documentos foram entregues à polícia no início da tarde.


Na sessão dessa terça, Fantinel afirmou que "com os baianos, que a única cultura que têm é viver na praia tocando tambor, era normal que fosse ter esse tipo de problema." Ele também sugeriu a agricultores, produtores e empresas agrícolas da região para dar a preferência a "trabalhadores argentinos", que seriam "limpos, trabalhadores, corretos".


O deputado estadual Leonel Radde (PT) afirmou, em publicação na redes sociais, que registrou um boletim de ocorrência na polícia contra a fala do vereador Sandro Fantinel, e disse que "o Rio Grande do Sul e o Brasil não são lugares para racistas, escravocratas". No entanto, esse registro ainda não chegou até a Polícia Civil de Caxias, segundo o delegado regional Augusto Cavalheiro Neto.


"A partir do momento que tomamos conhecimento do caso pelas mídias e pela imprensa foi determinada a instauração imediata do inquérito policial. Nós não esperamos representação criminal de ninguém. A Polícia, de ofício, tomou conhecimento, é uma ação penal pública incondicionada e nós temos o dever de apurar", explica Neto.


A partir da investigação, o prazo é de 30 dias para concluir o inquérito. "A chefia da Polícia Civil analisa a possibilidade de, após esse atendimento inicial da 1ª DP, transferir esse inquérito para a Delegacia dos Crimes de Intolerância em Porto Alegre, mas isso ainda não está definido", diz o delegado regional.


Além disso, o delegado explica que se essa ocorrência registrada pelo deputado Radde chegar na 1ª DP ou na Delegacia Regional será juntada ao inquérito. O crime da situação dos trabalhadores segue sendo apurado pela Polícia Federal.


Fonte: GZH

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