Polícia investiga fraude em medicamentos contra o câncer que pode ter causado sete mortes no RS

Pelo menos 39 pacientes foram vítimas de um esquema investigado pela Polícia Civil que envolve fraudes em ações judiciais para aquisição de medicamentos oncológicos e a suspeita de fornecimento de remédios falsificados no Rio Grande do Sul. Segundo a investigação, sete pessoas que receberam os medicamentos morreram durante o tratamento.
A apuração aponta que o grupo era formado por um médico oncologista, advogados e um empresário. De acordo com a polícia, pacientes eram orientados a utilizar o medicamento oncológico Enhertu e, após a negativa de fornecimento, ingressavam com ações judiciais para que o tratamento fosse custeado pelo poder público.
Conforme as investigações, os advogados indicados pelo médico apresentavam três orçamentos exigidos pela Justiça para a compra do medicamento. No entanto, a concorrência seria fraudada por meio de empresas de fachada controladas pelo empresário investigado, fazendo com que a aquisição ocorresse sempre por empresas ligadas ao grupo.
A investigação teve início após uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificar inconsistências em embalagens do medicamento destinadas a pacientes com câncer de mama, incluindo erros de grafia e características diferentes das originais.
Segundo o delegado Daniel Severo, responsável pelo caso, as evidências apontam para uma organização estruturada que utilizava a judicialização da saúde para obtenção de lucro ilícito, agravada pela suspeita de comercialização de medicamentos adulterados ou falsificados.
Nesta segunda-feira (29), a Polícia Civil deflagrou a Operação Placebo, cumprindo 57 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão no Rio Grande do Sul e em outros quatro estados. As investigações têm como alvo 15 pessoas e 14 empresas suspeitas de participação no esquema.
Entre os investigados estão um médico oncologista, três advogados e o empresário apontado como principal articulador da fraude. Por decisão judicial, o exercício profissional do médico e dos advogados foi suspenso enquanto as investigações prosseguem.
Durante a operação, a polícia apreendeu medicamentos, suplementos alimentares e cartelas sem identificação. Também foram bloqueados cerca de R$ 2,5 milhões em bens e valores dos investigados.
Anvisa já havia determinado apreensão de lote
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, em fevereiro deste ano, determinou a apreensão e proibiu a comercialização de um lote do medicamento Enhertu após identificar unidades com características incompatíveis com o produto original, como diferenças nas tampas, dimensões dos frascos e acabamento das embalagens.
A fabricante Daiichi Sankyo Brasil afirmou que comunicou o caso às autoridades assim que tomou conhecimento das suspeitas, reforçando que seus medicamentos originais mantêm os padrões de qualidade e orientando hospitais e profissionais de saúde a adquirirem os produtos apenas por distribuidores homologados.
Secretaria da Saúde reforça medidas de segurança
A Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que o medicamento não faz parte da lista regular de fornecimento do SUS e que os casos investigados envolvem compras realizadas por determinação judicial, com aquisição direta pelos pacientes ou seus representantes legais.
Como medida preventiva, a pasta orientou todas as unidades oncológicas do Estado a reforçarem os protocolos de vigilância, controle e rastreabilidade dos medicamentos, além de determinar a suspensão imediata do uso de qualquer lote com suspeita de falsificação.
Redação do www.startcomunicacaosl.com.br | Por Andressa Brunner Michels | Fonte: G1 RS

























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