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Polícia investiga nove mortes e 45 mutilações de pacientes de médico de Novo Hamburgo


Imagem: Reprodução/ RBS TV.

A Polícia Civil investiga um médico de Novo Hamburgo após dezenas de pacientes e familiares apontarem erros em procedimentos. Na semana passada, o cirurgião João Couto Neto, de 46 anos, foi alvo de operação policial e afastado judicialmente das funções.


Desde o dia da ofensiva, o número de vítimas que procuraram a polícia aumentou, passando de 15 para 54. Segundo o delegado Tarcísio Kaltbach, da 1ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, nesta semana são investigados nove mortes e 45 casos de pessoas com algum tipo de mutilação.


A investigação reuniu provas suficientes para obter ordens judiciais na casa, no consultório particular e no Hospital Regina, em Novo Hamburgo, onde Couto Neto atuava. A divulgação da ação policial da semana passada fez com que vários pacientes procurassem a delegacia.


Kaltbach não descarta que possa aumentar o número de vítimas nos próximos dias. Por isso, ele afirma que está alinhando o trabalho com o Ministério Público e juntando todo o material em um inquérito que apura homicídio com dolo eventual — quando se assume o risco — e lesão corporal.


Os documentos apreendidos na operação da semana passada e os exames encaminhados pelas pessoas que estão depondo como vítimas estão sendo reunidos pela polícia e também encaminhados ao Instituto-Geral de Perícias (IGP). "Os prontuários médicos e relatórios de exames estão sendo remetidos para a perícia confrontar se há relação de causa entre a ação ou omissão médica com o resultado ocorrido, no caso, danos ou mortes", explica Kaltbach.


O delegado destaca que a maior parte dos casos tiveram a mesma forma de ação. Segundo ele, cirurgias feitas pelo médico em algum órgão no aparelho digestivo acabavam lesando outro, gerando dano para a saúde. Em alguns casos, houve infecção generalizada.


Na semana passada, o Hospital Regina informou à imprensa que foi formada comissão para apurar internamente os fatos. A medida ocorreu no mesmo dia em que houve um protesto na instituição.


Também há uma sindicância aberta no Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremers) sobre o caso. Pelo menos um dos pacientes já havia ingressado, há mais tempo, com uma representação judicial contra Couto Neto. A polícia diz que a investigação continua.


Contraponto


De acordo com a polícia, Couto Neto não se manifestou em depoimento.


O advogado dele, Diego Mariante, afirmou que a defesa, por enquanto, continua optando por não se manifestar.


Fonte: GZH

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