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Quando a política desce ao ralo - Por Bado Jacoby

São Leopoldo sempre foi palco de grandes disputas políticas. Grupos se enfrentam, alianças se desfazem, adversários trocam críticas e, de tempos em tempos, a cidade vive campanhas eleitorais particularmente acirradas. Faz parte da democracia. Mas é difícil lembrar de outro momento em que o "debate" tenha descido tanto de nível como nos últimos meses.


O que estamos assistindo, deixou de ser disputa política e passou a ser ataque pessoal, assédio moral, exposição de familiares e uma sucessão de ofensas que pouco ou nada têm a ver com propostas ou com o futuro da cidade. É o vale-tudo pelo vale-tudo.


A chamada “confraria do ralo”, expressão que já virou uma espécie de definição para esse submundo das redes sociais, parece ter encontrado terreno fértil para despejar aquilo que existe de pior no debate público. Pessoas que se apresentam como sérias, equilibradas e defensoras do bem comum acabam, direta ou indiretamente, convivendo e até abastecendo esse lixos sociais que habitam esse submundo.


E aqui está a parte mais nojenta e hipócrita. Algumas figuras políticas que passaram os últimos anos denunciando perseguições, ataques e assédios hoje silenciam, toleram ou até estimulam exatamente esse comportamento quando o alvo é alguém do outro lado.


A curtida aparece. A risadinha aparece. O comentário aparece. Às vezes, aparece o familiar. Às vezes, o apoiador. Outras vezes, ninguém aparece oficialmente, mas todo mundo sabe quem está por trás. Uma inteligência mediana sem muito esforço, faz o mapa de quem abastece e apoia em poucos minutos.


Não é preciso concordar com uma pessoa para reconhecer que ela está sendo atacada e assediada da maneira mais rasa e desleal possível. da mesma forma, não é preciso ser adversário de ninguém para condenar uma agressão moral. Princípio, quando é princípio, não deveria depender do lado de quem está sendo atingido. O que não passa mais despercebido, é que personagens políticos que se auto proclamam a maior parte do tempo como "vítimas", estão se beneficiando e até fomentando a confraria do ralo. Podem ter certeza, que o mundo começa a observar isso.


Mas parece que, em São Leopoldo, alguns princípios ganharam endereço e partido. Quando o ataque serve aos interesses de determinado grupo, ele deixa de ser assédio e vira “brincadeira”. Quando o alvo muda de lado, transforma-se imediatamente em perseguição, violência e falta de respeito. Isso não é coerência. É conveniência.


E talvez seja justamente essa seletividade que mais incomode. Porque política pode ser dura. Pode ter confronto. Pode ter crítica pesada. Pode ter denúncia, cobrança e até embate pessoal entre adversários. O que não pode é transformar humilhação, exposição e agressão pessoal em método político.


Muito menos quando entram familiares, vida privada e ataques destinados exclusivamente a destruir reputações. A política não precisa ser limpa demais. Política é conflito de ideias e interesses. Mas precisa ter algum limite. Quando esse limite desaparece, não estamos diante de uma nova forma de fazer política. Estamos simplesmente diante do fundo do poço.


E talvez seja hora de parar de escolher quem pode ou não ser vítima. Porque, se o assédio é errado, é errado sempre. Se a agressão é condenável, é condenável independentemente de quem seja o alvo. E se alguém realmente acredita que a política de São Leopoldo precisa ser diferente, talvez o primeiro passo seja bastante simples: parar de aplaudir a baixaria quando ela favorece o próprio lado.


Caso contrário, a cidade continuará assistindo à política descendo cada vez mais fundo.

E, pelo visto, o ralo ainda não chegou ao fundo.


Bado Jacoby, é titular da coluna Radar da Política

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