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Saída de Regina Caetano da Sedetec: quando a crise deixa os bastidores e vira fato político explícito - Por Bado Jacoby

A saída da vice-prefeita Regina Caetano(PP) do comando da Sedetec, anunciada por meio de suas redes sociais, na manhã desta sexta-feira(30), não foi um fato isolado nem inesperado. Ela representa o desfecho de uma relação política que vinha se deteriorando desde os primeiros meses do atual governo municipal, envolvendo não apenas o prefeito Heliomar Franco, mas também a primeira-dama Simone Dutra.


O gesto de Regina não inaugura a crise, ele apenas a torna oficial. Até então, o desgaste existia nos bastidores, nos silêncios estratégicos, nas decisões atravessadas e no que a política costuma chamar de “rádio corredor”. Agora, o conflito sai do terreno da especulação e entra no campo do fato consumado. E isso, paradoxalmente, pode facilitar a vida do próprio governo.


Ao romper publicamente, a vice-prefeita escancara uma divergência que já estava posta. Deixa de haver dissimulações e fingimentos tão comuns no dia a dia da política, e tudo fica muito as claras. O governo e mais especificamente o prefeito, passa a lidar com um conflito claro, assumido, e não mais com ruídos internos difíceis de administrar. Na política, a guerra aberta, embora mais barulhenta, costuma ser mais previsível do que a guerra velada, aquela que corrói lentamente, desgasta relações e paralisa decisões.


As justificativas apresentadas por Regina, centradas no esvaziamento da Sedetec, contrastam com a versão da administração municipal, que sustenta que todas as decisões foram construídas em conjunto e já estavam previstas no plano de governo vencedor das eleições. Esse desencontro de narrativas evidencia algo maior, ou seja, não se trata apenas de um debate técnico ou administrativo, mas de um conflito político e, possivelmente, pessoal.


As consequências desse rompimento ainda são difíceis de dimensionar. No curto prazo, há desgaste evidente para o governo, que vê sua vice-prefeita se tornar protagonista de uma crise pública. Ao mesmo tempo, há um movimento claro de cautela por parte da Prefeitura, que tende a evitar o confronto direto, apostando no silêncio institucional e em eventuais notas oficiais, enquanto Regina ocupa o centro do debate.


O que está em jogo agora vai além de cargos ou secretarias. Trata-se da recomposição de forças dentro do governo, da leitura que a população fará desse embate e da capacidade da gestão de atravessar uma crise política sem transformar divergências em paralisia administrativa. Os próximos dias e semanas serão decisivos para definir se esse rompimento será apenas um episódio turbulento ou o início de um redesenho mais profundo do cenário político em São Leopoldo.


O que se tem de concreto por enquanto, é de que o que antes era murmúrio virou manchete. E, a partir de agora, ninguém mais poderá fingir que não ouviu ou que não sabe. As cartas estão expostas.


Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação

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