SEMAE: como se criar uma narrativa de "crise" baseada em fake News e boatos plantados
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Criar uma narrativa baseada em fake news e interesses nada ocultos não é novidade na política leopoldense. A "crise" criada nos últimos dez dias em torno do SEMAE é um exemplo claro de como disputas históricas pelo controle do órgão seguem vivas e ativas nos bastidores do poder municipal.
O SEMAE sempre foi tratado como a “joia da coroa” da Prefeitura de São Leopoldo. Pelo peso financeiro, pela capacidade de arrecadação e pela densidade eleitoral que representa, a autarquia, há décadas figura como a principal moeda de troca em alianças políticas pelo menos, nas últimas eleições. Não se trata de algo pontual ou exclusivo de um governo específico, mas de uma prática recorrente.
Basta olhar para trás. Em 2012, na eleição que elegeu Anibal Moacir(PSDB) e seus desastrados "senhores da excelência em gestão", o SEMAE foi peça central na aliança com Gerson Borba, o Chico da Farmácia, que acabou recompensado com a direção da autarquia. Em 2020, na reeleição de Vanazzi, o apoio do PDT teve novamente o SEMAE como contrapartida, com Ari Moura, eleito vice-prefeito, que assumiu o comando do órgão. Já em 2024, o apoio considerado decisivo e de última hora de Gabriel Dias à candidatura de Heliomar Franco também teve como pano de fundo o SEMAE, onde Gabriel também assumiu e permaneceu até que os desentendimentos com o prefeito culminaram em sua saída.
Ou seja, o SEMAE está permanentemente no radar das ambições políticas de São Leopoldo, e muitos, sonham em assumir ou reassumir seu controle.
É nesse contexto que se insere a atual ofensiva contra a diretora-geral do SEMAE, Cladis Magnani, a Cacau. Próxima do prefeito e da primeira-dama, Cacau iniciou o governo à frente da Semurb, onde surpreendeu positivamente até setores da oposição. Com a saída de Gabriel Dias, foi escolhida para comandar o SEMAE e passou a promover mudanças. Sem ambições eleitorais conhecidas, acabou mexendo em interesses históricos, talvez algo nunca feito até então por tantos gestores que por lá passaram. As consequências, não tardaram a aparecer e criar seus efeitos, bastantes multiplicados pela confraria do ralo e pela rádio corredor. Pelo que tem se visto, o jogo poucas vezes foi tão pesado e raso.
Daí para conspirações, boicotes e até possíveis sabotagens foi um passo. O que se viu, nos últimos dias, foi uma tentativa clara de desestabilização, sustentada por fake news e informações plantadas. Ainda assim, até aqui, Cacau segue consolidada no cargo e com respaldo total do Paço Municipal.
O governo, ao que tudo indica, já identificou origens, causas e atores dessa movimentação. As próximas semanas dirão quais serão as consequências. Mas uma coisa é certa: a disputa pelo SEMAE continua sendo um retrato fiel da velha política local, onde o vale-tudo, ainda continua firme, forte e solto. Ao governo, cabe reagir contra esse modus operante dos porões da política, sob pena, de ficar refém da confraria do ralo e das conspirações do fogo amigo e seus interesses não tão ocultos.
Bado Jacoby, é apresentador, repórter e titular da coluna de política da Start






























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