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São Leopoldo | CEPROL detalha avanços e desafios da categoria no município

Foto: Mariana Santos
Foto: Mariana Santos

As representantes do Sindicato dos Professores Municipais de São Leopoldo (CEPROL), a presidente Cristiane Mainardi e a vice-presidente, Rosi Lopes, estiveram presentes em um dos Programas Start News desta semana. O bate-papo abordou desde a construção das pautas de reivindicação até questões estruturais e previdenciárias que afetam diretamente o cotidiano das escolas da rede municipal.


A presidente Cristiane Mainardi, explicou que a pauta do reajuste anual da categoria é construída coletivamente, iniciando com uma pré-pauta elaborada com apoio do DIEESE e do setor jurídico, passando pelo Conselho Político – formado por representantes eleitos nas escolas – e, finalmente, aprovada em assembleia.


Entre os principais pontos estão o reajuste salarial baseado em indicadores econômicos. A categoria rejeitou a proposta inicial do governo por não respeitar a estrutura de carreira e o princípio da isonomia. Após pressão e debate intenso, houve avanços, como a incorporação do reajuste de 1,7% retroativo a janeiro, incidindo em toda a carreira, além da substituição do índice inflacionário INPC pelo IPCA (de 4% para 5,06%), parcelado em duas vezes. "Apresentamos um índice de reajuste com base no reajuste do piso nacional e na defasagem previdenciária. Isso nos deu um valor inicial de 14,27%. Claro que há margem para negociação, mas esse número se baseia em dados técnicos", afirmou Mainardi. “A negociação é uma construção coletiva. Não foi o governo que deu aumento por boa vontade, foi o sindicato que garantiu esse direito”, reforçou Mainardi, que também explicou a importância simbólica da manutenção da data-base de abril e da não judicialização dos direitos da categoria.


Entre outras conquistas da campanha salarial estão o reajuste de 15% no vale alimentação e a antecipação do 13º salário para junho. “Não queremos onerar os cofres públicos, mas garantir que nossos direitos sejam respeitados, para que não precisemos recorrer à Justiça sempre que houver descumprimento”, concluiu Cristiane Mainardi.


Outro ponto abordado foram as aposentadorias do pessoal da educação. De acordo com Rosi Lopes, São Leopoldo enfrenta um período longo sem realização de concursos, o que agravou a situação. "Ano passado tivemos cerca de 300 aposentadorias. Neste ano, a média é de 20 por mês. Isso compromete diretamente o funcionamento das escolas", alertou. Cristiane complementa: "É um movimento natural, mas o problema é que não houve reposição. A nossa categoria está envelhecendo."


Cristiane Mainardi foi enfática ao afirmar que a categoria espera que os acordos firmados com a Secretaria Municipal de Educação (SMED) sejam cumpridos. Um dos principais pontos, segundo ela, é a realização urgente de um novo concurso público. “O último concurso aprovou poucos professores. Precisamos de um certame bem construído, que atenda à real demanda das escolas”, afirmou.

 

Inclusão escolar e saúde mental


Um dos temas alarmantes levantado pelas representantes sindicais foi o impacto da inclusão de estudantes com necessidades especiais sem estrutura adequada nas escolas. "Temos salas com 35 alunos e sete com inclusão. Não há como dar conta", explicou Rosi Lopes. Ela ainda aponta a falta de formação continuada e a sobrecarga dos professores. "Temos formação, temos qualidade, mas nos falta estrutura e apoio real." Segundo o sindicato, o município também tem absorvido estudantes vindos da rede estadual e do setor privado, que não têm dado conta da demanda, o que sobrecarrega ainda mais o sistema municipal. A professora Cristiane Mainardi destacou que o sistema educacional tem operado sob um modelo de "salve-se quem puder", onde educadores precisam lidar simultaneamente com alunos da educação inclusiva, estudantes com demandas diversas e, muitas vezes, com apoios de apenas de estagiários ou estrutura uma adequada. “É direito das crianças a inclusão, mas também é direito de todas elas receberem uma educação de qualidade. E isso não está acontecendo da maneira mais adequada ”, afirmou.


A categoria aponta que as consequências da pandemia e das recentes enchentes ainda são sentidas nas salas de aula. "Estamos recebendo alunos e professores que voltam de traumas. E a escola não tem rede de apoio suficiente", disse Cristiane. Além disso, ela criticou o que chamou de “criminalização do magistério”, citando campanhas públicas que visam desacreditar os professores. "Há uma tentativa de minar a credibilidade da categoria. Mas resistimos. Seguimos firmes na luta por uma educação pública de qualidade e por condições dignas de trabalho", concluiu.


Mainardi também chamou atenção para as jornadas exaustivas enfrentadas por muitos profissionais. “Tem professor trabalhando 60 horas por semana, o que significa 12 horas por dia. É impossível planejar atividades individualizadas e ainda dar conta da própria vida pessoal”, disse. Ela associou essa realidade ao alto índice de adoecimento mental na categoria: “Nós queremos ajudar, mas não conseguimos nem cuidar da própria saúde.”

Ela também destacou que 2025 será um ano importante para a consolidação da gestão democrática nas escolas, com eleições para conselhos escolares, grêmios estudantis e equipes diretivas. “É essencial que professores, pais e estudantes participem da construção do projeto político-pedagógico das escolas. Esse documento é a constituição da escola”, reforçou.


No encerramento do programa, Cristiane Mainardi anunciou que o sindicato da categoria, o CEPROL, passou a integrar oficialmente a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (CONFETAM), ajudou a fundar a Federação dos Trabalhadores Municipais do Rio Grande do Sul e agora também é filiado à Internacional do Serviço Público (ISP). “O CEPROL está além das fronteiras do Brasil”, celebrou.


Da Redação www.startcomunicacaosl.com.br - Por Mariana Santos - Jornalista MTB: 19788/RS

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