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São Leopoldo e a política de segurança pública que protege mulheres - Por Bado Jacoby

Falar sobre violência contra a mulher exige cuidado, seriedade e, acima de tudo, compromisso com os fatos. Transformar um tema tão grave em palanque de “terra arrasada” pode até render manchetes fáceis e rendimentos políticos, mas não ajuda a salvar vidas e, pior, em muitos casos desinforma e ajuda a propagar uma sensação de insegurança total. A segurança, ou a falta dela, precisa ser tratada como seriedade e muito cuidado.


Em São Leopoldo, os números contam uma estatística que merece ser analisada com mais profundidade. Desde a criação da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), em 2019, os registros cresceram de forma contínua. Para alguns, isso é sinal automático de aumento da violência. Para quem acompanha o tema de perto, é também um indicativo claro de algo fundamental: as mulheres estão denunciando mais porque confiam mais na rede de proteção.


Confiança não surge do nada. Ela é construída quando o Estado aparece, acolhe, protege e responde. A Deam leopoldense não é apenas um balcão de registros. Em 2025, realizou 185 prisões e solicitou quase 1.500 medidas protetivas. Isso significa ação concreta, não discurso.


Mas a força do município está, sobretudo, na rede. Patrulha Maria da Penha, Ronda Lilás da Guarda Municipal, Centro Jacobina, Ministério Público e Judiciário operam de forma integrada. Não é exagero afirmar que São Leopoldo possui hoje uma das redes de proteção mais estruturadas do Rio Grande do Sul. Os números de acompanhamento e fiscalização de medidas protetivas mostram um trabalho ativo, permanente e vigilante.


Quando se fala em feminicídio, o desfecho mais cruel da violência contra as mulheres, nenhum dado pode ser relativizado. Cada caso é uma tragédia. Ainda assim, é preciso colocar esses números dentro de um contexto. Em 2025, o município registrou um feminicídio. Em 2024, foram quatro. A redução não é motivo para comemoração, mas é um sinal de que a prevenção funciona quando o poder público atua de forma coordenada.


Isso não significa que o problema esteja resolvido. Não está. A violência contra a mulher segue sendo uma chaga social que exige investimento, atenção e políticas públicas permanentes. O que não se pode fazer é ignorar os avanços por conveniência política ou narrativa fácil.


Reconhecer o que funciona não é passar pano. É fortalecer o que salva vidas. E, neste ponto, São Leopoldo mostra que, entre o barulho do alarme e a realidade dos fatos, há um caminho mais responsável: governar com dados, proteger com políticas públicas e debater com seriedade. Caso contrário, a solução e amenização de algo tão grave, se torna narrativa fácil e até propulsora de "justiceiros do amor" de plantão. A violência contra as mulheres, é algo que está entre nós, mas seu combate, requer responsabilidade e ação de toda a sociedade.


Bado Jacoby, é apresentador e repórter da Start Comunicação

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